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Ceni cobra regularidade do Bahia e admite preocupação com falhas defensivas após derrota

Treinador lamentou queda de rendimento após vantagem contra o Cruzeiro e destacou a necessidade de evolução para manter o Tricolor na disputa por vaga na Libertadores.

Por Samara Figueiredo
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Atualizado
Ceni cobra regularidade do Bahia e admite preocupação com falhas defensivas após derrota

Foto: Catarina Brandão / EC Bahia

A derrota de virada por 3 a 2 para o Cruzeiro, na noite da quinta-feira (5), expôs problemas que Rogério Ceni considera recorrentes no Bahia. Em entrevista coletiva após a partida no Mineirão, o treinador apontou a falta de regularidade da equipe durante os jogos e voltou a demonstrar preocupação com os espaços concedidos aos adversários. 

O Tricolor começou bem e abriu o placar, mas não conseguiu sustentar o desempenho. Para Ceni, a principal falha foi a mudança de comportamento depois de marcar. O treinador afirmou que a equipe perdeu o controle da partida, passou a errar passes e recorreu com frequência às bolas longas. 

"Eu não sei porque que a gente muda depois do gol. Não tem mais a bola, não consegue trocar mais cinco passes. A gente muda o comportamento. Somente pelo fato do gol ter existido. Então, acho que [fizemos] um bom início de jogo, conseguiu fazer a vantagem, que é a parte mais difícil em jogos fora de casa, você sair em vantagem ao adversário. E a partir do momento do gol, na bola seguinte, muda totalmente o cenário. A gente começa a perder bolas em construção, começa a não conseguir trocar passes, muito chutão para frente. E a gente pede o controle do jogo. Começa o segundo tempo, já na saída de jogo a gente entrega uma bola boba, o Nico [Acevedo] quase sofre um segundo cartão amarelo por uma saída de bola errada. Tem um pênalti bem mequetrefe, que o cara do VAR faz questão de chamar. [...] Nós fizemos 30 bons minutos no começo do jogo e eu acho que através disso se a gente fosse mais constante, mas a gente é muito inconstante dentro do jogo e aí é difícil contra times bons, que é o time do caso do Cruzeiro, a gente ter a vantagem no jogo o tempo todo", avaliou.

O técnico também reconheceu que o Bahia tem encontrado dificuldades diante dos principais concorrentes na parte de cima da tabela. A única vitória tricolor contra equipes do G-6 foi contra o Athletico Paranaense. Ceni destacou que o time consegue criar oportunidades, mas os adversários têm sido mais eficientes e aproveitado melhor os espaços nas transições ofensivas.

"Ano passado nós tivemos ganhamos de Palmeiras duas vezes, ganhamos de Flamengo, acho que foi um ano que nós conseguimos confrontar melhor os adversários de ponta do campeonato. Esse ano realmente o único que a gente venceu foi o Athletico Paranaense, tivemos empates contra Fluminense, tivemos outros jogos assim. Não conseguimos performar bem contra os dois. Performamos um jogo muito bom que foi contra o Palmeiras em casa e depois perdemos os outros dois. Eu acho que demonstra a força de alguns elencos no campeonato, citando os que estão à nossa frente. O Athletico que eu vejo um time bem parelho com a gente, o Athletico Paranaense e a gente consegue ter uma aproveitamento igual. O Fluminense, eu acho que tem os jogadores de mais experiência, conjunto e a gente tenta sempre competir com todo todos e em algum detalhe a gente tem as oportunidades, né? Elas aparecem. [...] Mas os adversários tem aproveitado melhor do que a gente", afirmou.

Outro ponto de preocupação é o desempenho ofensivo. O treinador evitou atribuir os problemas exclusivamente á linha de defesa e apontou falhas na organização coletiva, especialmente no momento de recomposição. Ceni admitiu que pode revr o modelo de marcação utilizado atualmente, com dois jogadores mais adiantados, e considerar o retorno à estrutura anterior, com três homens pelo meio. 

"Eu acho que não é o sistema defensivo, é a maneira, às vezes, como a gente se defende. Eu acho que a gente consegue fazer coisas boas durante o jogo, mas a gente se desconecta um pouco defensivamente no jogo e não tô falando da linha de defesa, eu tô falando da maneira como nós defendemos. Nós mudamos um pouco do sistema que a gente defendia antes, com os pontas baixando, com três homens por dentro. Estamos tentando jogar sempre com dois homens à frente para tentar tirar o adversário um pouco mais, não deixar ele tão próximo do nosso gol, né? E ter sempre um homem a mais para tentar puxar os contra-ataques quando a gente tá sofrendo pressão, mas a gente vai encontrando um pouco dificuldade nesse balanço defensivo e a gente vem deixando um pouco mais de espaço do que o normal. Nós temos que repensar se vale a pena voltar para o modelo que a gente vinha usando antes, com três jogadores com consistentes pelo meio. [...] Então, ali são decisões um de segundo, né? E nós estamos pecando nesse tipo de decisão", explicou.

Com 53 pontos, o Bahia permanee na sexta colocação, a um ponto do Athletico-PR, primeiro integrante do G-5. A disputa por uma vaga na Libertadores entra na reta decisiva, e Ceni reconheceu que ainda falta ao time dar um passo para se consolidar entre os quatro primeiro do campeonato. O treinador pediu concentração para a sequência final, que terá compromissos contra Grêmio, Coritiba, Botafogo e Atlético-MG. Para ele, o principal desafio será manter a mesma postura independentemente do placar. 

"É um final de campeonato onde... eu acho que vai ser dramático, difícil porque contra todo mundo que você joga, ele busca alguma coisa, seja como o Cruzeiro hoje, uma classificação direta pela Libertadores, seja um Grêmio que busca sair de uma zona de rebaixamento, então é ganhar, tentar melhorar a parte física, melhorar a parte mental de concentração, competir ao máximo e quando tiver as oportunidades, como foi no caso de hoje, de sair à frente do marcador, tentar se manter mais tempo com isso, tentar não alterar a maneira de pensar o jogo, de jogar o jogo. Nós precisamos tá focado como a gente tá com 30 minutos, 0 a 0 o jogo. [...] Nós tínhamos uma maneira de jogar independente do resultado e nós mudamos com o gol favorável. Acho que essa é a principal, não mudar não mudar a personalidade independente dependente de como esteja o placa, o gol a favor, o gol contra, ele não deve mudar o conceito de jogo. Nós temos que manter mais por mais tempo vivo esse conceito de jogo", finalizou. 

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