Centrão mantém distância formal de Flávio Bolsonaro e preserva relação com Lula
A composição do Congresso a partir de 2027 pode determinar quanto poder as legendas terão para negociar com o próximo presidente

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O movimento dos partidos do Centrão tentam manter distância formal da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e, ao mesmo tempo, preservam a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A composição do Congresso a partir de janeiro de 2027 pode determinar quanto poder essas legendas terão para negociar com o próximo presidente da República.
Nas últimas semanas, União Brasil e PP, reunidos na federação União Progressista, decidiram pela neutralidade, assim como Republicanos e MDB.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também anunciou que o Centrão está com o presidente Lula. Já Ciro Nogueira, declarou voto pessoal em Flávio, apesar de ser dirigente de um partido que optou por não integrar a chapa do senador.
Uma eventual reeleição do presidente Lula ajuda a ilustrar por que a composição interessa ao Centrão. Em 2023, ao retornar para o Planalto, o petista não tinha maioria própria e enfrentou dificuldades para consolidar base de apoio, já que o PL havia saído das urnas de 2022 como a maior bancada da Câmara.
Por esse motivo, Lula precisou realizar diversas negociações com o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e com partidos do Centrão para obter aprovação dos projeto de interesse. Ou seja, quanto menos bancada própria tiver o presidente, mais importantes se tornam os partidos do Centrão para formar a maioria.
Atualmente, o PL permanece como a maior bancada da Câmara com 98 deputados federais. Caso Flávio vença o pleito, ele poderia começar 2027 com uma bancada potencialmente mais robusta do que o encontro por Lula em 2023. Isso não significa que dispensaria negociação com o Centrão, mas poderia reduzir o grau da dependência das legendas para formar maioria.
A diferença não seria entre precisar ou não do Centrão, mas no caso de Lula, os partidos não seriam dispensáveis para aprovar os projetos do governo.


