Citroën 2CV elétrico será revelado em Paris como modelo mais acessível do mercado
História servirá de inspiração para modelo acessível

A Citroën vai recorrer à história do 2CV para enfrentar um dos principais desafios do mercado europeu: oferecer um carro elétrico que mais pessoas possam comprar. A marca confirmou um novo modelo inspirado no pequeno francês apresentado em 1948, com foco em simplicidade, leveza e preço acessível. Integrante do plano estratégico FaSTLAne 2030 da Stellantis, o projeto terá mais detalhes revelados no Salão do Automóvel de Paris, neste mês de outubro. O Farol da Bahia participará da cobertura com um grupo de jornalistas brasileiros.
O retorno recupera uma ideia que marcou a trajetória da Citroën. Quando surgiu, o 2CV a gasolina oferecia transporte econômico para famílias que ainda estavam distantes de comprar um automóvel. Agora, a fabricante pretende aplicar essa filosofia à mobilidade elétrica, em um mercado no qual o custo de aquisição continua sendo uma barreira.
A história começou em 1936, com o projeto TPV, sigla francesa para “carro muito pequeno”, conduzido sob a direção de Pierre-Jules Boulanger. A missão era transportar quatro pessoas e 50 kg de bagagem com conforto e economia. O automóvel precisava ser útil tanto para as famílias quanto para o trabalho, inclusive nas condições precárias das estradas da época.
A apresentação estava prevista para 1939, mas a Segunda Guerra Mundial interrompeu os planos. O desenvolvimento atravessou o conflito, e o lançamento ocorreu em 7 de outubro de 1948, no Salão de Paris. O desenho arredondado e o acabamento simples provocaram estranhamento, mas os compradores reconheceram sua utilidade. A procura cresceu rapidamente, gerando filas de espera que chegaram a durar anos.
A produção começou em julho de 1949. Sob o capô estava um motor a gasolina de dois cilindros opostos, refrigerado a ar, com apenas 375 cm³ e 9 cv. A potência modesta combinava com um projeto que privilegiava baixo peso, economia e praticidade. Os bancos removíveis ampliavam a versatilidade, enquanto o conforto ajudava a tornar o pequeno Citroën uma ferramenta para o cotidiano.
O 2CV cumpriu na França um papel comparável ao do Volkswagen Fusca em outros mercados: aproximar o automóvel de uma parcela maior da população. Sua personalidade, porém, era própria. A aparência descomplicada fazia parte de um carro desenvolvido para exigir pouca manutenção e atender às necessidades básicas de transporte.
A carreira se estendeu por mais de quatro décadas. O último exemplar saiu da fábrica de Mangualde, em Portugal, em 27 de julho de 1990. Ao todo, foram produzidas 5.114.969 unidades, incluindo as versões comerciais, mostrando como uma proposta inicialmente voltada à economia se transformou em um fenômeno duradouro.
No novo projeto, a Citroën pretende preservar acessibilidade, praticidade e versatilidade, agora com propulsão elétrica. A fabricante também relaciona o modelo às necessidades de mobilidade urbana e às novas regulamentações das cidades europeias. Potência, bateria, autonomia e preço definitivo ainda não aparecem no comunicado oficial que confirmou seu desenvolvimento.
Essa estratégia já tem uma expressão concreta no ë-C3 europeu. Em Portugal, a versão de autonomia urbana foi anunciada neste ano com preço de tabela a partir de 19.990 euros. Ela utiliza motor de 113 cv e bateria LFP de 30 kWh, com alcance de até 212 km pelo ciclo WLTP. A configuração mostra como a marca procura reduzir o custo oferecendo uma bateria dimensionada para deslocamentos cotidianos.
O futuro modelo inspirado no 2CV deve aprofundar essa busca por um elétrico essencial. Historicamente, o pequeno francês conquistou compradores porque tornava possível adquirir e manter um carro. Para repetir esse papel na Europa, seu sucessor precisará entregar uma vantagem igualmente concreta: preço competitivo, eficiência e praticidade. A herança do nome ajuda a chamar atenção, mas será o custo final que mostrará se a Citroën conseguirá democratizar novamente o automóvel.


