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CNJ recebe nova denúncia de assédio contra ministro Marco Buzzi, do STJ

Conselho diz ter ouvido possível vítima de fatos semelhantes e mantém investigação sob sigilo

Por FolhaPress
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CNJ recebe nova denúncia de assédio contra ministro Marco Buzzi, do STJ

Foto: Tribunal de Justiça do Espírito Santo/ Divulgação

LUÍSA MARTINS - O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) recebeu nesta segunda-feira (9) uma nova denúncia de assédio sexual envolvendo o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marco Buzzi. Uma nova reclamação disciplinar foi aberta para apuração dos fatos.

De acordo com a Corregedoria Nacional de Justiça, foi realizada "oitiva de possível vítima de fatos análogos àqueles objeto de procedimento em curso". A investigação tramita em sigilo "para preservar a intimidade e integridade das pessoas envolvidas e para a adequada condução das investigações."

Os advogados de Buzzi afirmam que o ministro "não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbito dos procedimentos já instaurados". A nota diz que o vazamento de informações busca "constranger o devido processo legal e influenciar indevidamente futuras decisões judiciais".

"Até o presente momento, a defesa não teve acesso aos autos, muito embora já tenha apresentado pedido de habilitação desde a semana passada. Não há, portanto, qualquer base jurídica ou factual que permita manifestações responsáveis sobre fatos ainda indefinidos -muito menos julgamentos públicos antecipados", diz a defesa do ministro.

A primeira denúncia contra o ministro aponta para um episódio ocorrido em 9 de janeiro, na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC). Uma jovem de 18 anos, que estava hospedada com os pais na casa de praia do ministro, declarou à Polícia Civil de São Paulo que ele a conduziu para área isolada de uma praia e a tocou sem consentimento. Conforme o relato, a jovem e o ministro foram à praia enquanto os pais da jovem e a esposa do ministro terminavam afazeres na residência.

Segundo o depoimento, ela contou o ocorrido ao pai, e a família deixou a casa do ministro no mesmo dia. Ainda de acordo o documento, a jovem frequentava o STJ desde a infância e considerava o ministro "um avô e confidente". A mãe dela atua nos tribunais superiores, e a relação profissional evoluiu para amizade entre as famílias.

À polícia o pai da jovem disse que ela ficou "extremamente abalada, chorando de forma contínua e demonstrando desespero" após contar o caso.

Como mostrou o Painel, um primo do ministro e uma vizinha dele em Balneário Camboriú registraram declarações nesta segunda-feira em cartório colocando em dúvida a acusação de importunação sexual. Ambos dizem que Buzzi tem limitações físicas e acreditam que isso o impediria de ter molestado a garota dentro do mar.

Ainda não há detalhes sobre a segunda denúncia, recebida pelo CNJ nesta segunda-feira.

Em relação ao caso de Santa Catarina, Buzzi é alvo, além de reclamações disciplinares no CNJ, de uma investigação criminal no STF (Supremo Tribunal Federal), que tramita sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, e uma sindicância no âmbito do próprio STJ, conduzida pelos ministros Raul Araújo, Francisco Falcão e Antônio Carlos Ferreira.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, a tendência é de que o STJ conclua pelo afastamento do ministro após a conclusão da sindicância relacionada ao caso de Santa Catarina. Buzzi apresentou sua defesa aos pares em sessão secreta da corte na semana passada. Oito dos 29 ministros votantes foram contra a abertura da sindicância. Integram a corte 33 magistrados.

Os processos administrativos têm como consequência a aposentadoria compulsória. Nesse cenário, Buzzi perderia o cargo de ministro, mas continuaria recebendo seus proventos.

Já uma condenação no Supremo pelo crime de importunação sexual poderia levar à prisão e à perda da aposentadoria.

Nos bastidores do STJ, a situação é considerada desfavorável para Buzzi e o caso é classificado como sem precedentes no tribunal. Ministros afirmam não ver clima para impunidade, percepção reforçada pelo fato de a mãe da vítima ser uma advogada conhecida e respeitada pela comunidade jurídica.

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