Correios recebem autorização prévia para contratar novo empréstimo de até R$ 8 bi
Empresa já iniciou articulações para levantar até junho R$ 8 bilhões extras, por meio de novo empréstimo ou aporte da União

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
IDIANA TOMAZELLI - O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou um limite de até R$ 8 bilhões para os Correios contratarem um novo empréstimo em 2026 para financiar seu plano de reestruturação. A nova operação também deve ter garantia da União, que honrará os pagamentos em caso de inadimplência.
A medida do CMN é necessária para que, futuramente, a empresa possa efetivar a contratação do crédito. Mas ainda não significa que o Tesouro Nacional já concedeu a garantia, nem que já há sinal verde dos bancos para a concessão do financiamento.
Os valores e as condições da nova operação ainda precisarão ser definidas pela companhia junto às instituições financeiras e aprovadas pelo Tesouro, que trabalha com uma tabela de custo máximo nos contratos com garantia soberana. Para empréstimos com prazo de dez anos, esse custo deve respeitar o teto de 120% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).
Como mostrou a Folha de S.Paulo, os Correios já iniciaram as articulações para tentar levantar até junho os R$ 8 bilhões extras, por meio de novo empréstimo ou aporte da União. A estratégia busca evitar que a empresa enfrente uma nova crise em pleno período eleitoral.
Os R$ 12 bilhões obtidos no fim de 2025 por meio de operação de crédito contratada com cinco bancos -dois deles controlados pelo governo federal- devem durar até meados deste ano, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Folha de S.Paulo.
O prazo pode se estender um pouco mais, caso medidas como o PDV (programa de demissão voluntária) sejam bem-sucedidas. Mesmo assim, a avaliação é que resolver o quanto antes o valor pendente é essencial para afastar o risco de um buraco no caixa em meio à campanha, o que daria munição para os adversários do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os Correios estimaram uma necessidade total Os R$ 20 bilhões para prosseguir com o plano de reestruturação. O dinheiro será usado para regularizar dívidas, financiar medidas de ajuste (como incentivos à adesão ao PDV e mudanças no plano de saúde) e manter em dia as demais obrigações da companhia.
Em entrevista coletiva no fim de dezembro, o próprio presidente da empresa, Emmanoel Rondon, destacou que a companhia precisaria de mais R$ 8 bilhões para honrar seus compromissos.
O comando da empresa iniciou os contatos com instituições financeiras para medir o apetite para uma nova operação de crédito, mas há intenção também de buscar a concretização do aporte sinalizado pelo Ministério da Fazenda na contratação do empréstimo com os bancos.
Uma das cláusulas do contrato firmado com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander prevê uma injeção de R$ 6 bilhões da União até 2027. A empresa tem preferência pelo uso do dinheiro ainda este ano, mas isso vai depender de espaço no Orçamento federal.
Em nota, o Ministério da Fazenda ressaltou que o sublimite criado para o crédito aos Correios busca "assegurar a continuidade" do plano de reestruturação da empresa. O órgão disse ainda que a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 permite desconsiderar da meta fiscal das estatais até R$ 10 bilhões em despesas de empresas que estejam com plano de reequilíbrio econômico-financeiro aprovado e vigente.
"Como o valor autorizado pelo Conselho é de R$ 8 bilhões, as despesas decorrentes dessas operações poderão ser desconsideradas para fins de apuração da meta de resultado primário no exercício", afirmou a pasta.
O CMN é formado pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.


