Curso do MEC define como "correta" alternativa de questão que estabelece bets como ferramenta de ensino, diz coluna
Defensoria do DF pediu retirada de questão e abertura de processo disciplinar

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A Defensoria Pública do Distrito Federal acionou o Ministério da Educação (MEC) nesta quarta (15), por uma questão de uma avaliação de um curso do ministério para professores. A informação é da colunista Andreza Matais.
A questão mencionada define como "correta" uma alternativa que estabelece que bets são uma ferramenta de ensino. A Defensoria afirma que a alternativa "sugere o uso de apostas como ferramenta pedagógica no ensino de matemática".
O pedido do órgão pede que o material seja retirado, solicita explicações sobre a elaboração da questão e adoção de medidas para evitar que novos materiais semelhantes sejam divulgados.
Segundo o Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), da Defensoria, a questão foi apresentada no curso "Mais ensino médio", dentro de uma plataforma do MEC, o Avamec. O curso é destinado à formação de professores da rede pública.
"A mensagem que a questão envia é, em outras palavras: ‘já que as Bets se tornaram uma febre nacional, vamos tomar proveito disso e ensinar matemática’. Não importa se a estratégia recomendada venha a estimular as apostas ou mesmo normalizar a prática de apostas, que deveria estar sendo desencorajada mostrando seus malefícios", diz o documento.
A Defensoria afirma ainda que a alternativa apresentada como correta "incentiva a utilização de apostas entre estudantes, ainda que com valores simbólicos".
"O crescimento das apostas esportivas no Brasil está associado a estratégias massivas de publicidade, com forte impacto sobre famílias em situação de vulnerabilidade", diz o Nudecon.
Em nota, a assessoria do MEC afirmou que o curso foi "desabilitado até que a apuração seja concluída". Segundo o ministério, o uso da questão seria "justamente evitar que estudantes sejam vítimas das apostas eletrônicas" e que foi formulada para professores "usarem a informação como insumo para educação financeira". A nota foi enviada à coluna.
A Defensoria sustenta ainda que "diante da gravidade" do ocorrido, o MEC deve abrir um procedimento administrativo disciplinar, identificando o autor da questão, e verificar a "compatibilidade" da questão com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


