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Da ascensão à queda: veja a cronologia do escândalo financeiro do Banco Master

Esquema fraudulento gerou rombo estimado em R$ 47 bilhões somente para para o fundo garantidor

Por Ane Catarine Lima
Às

Atualizado
Da ascensão à queda: veja a cronologia do escândalo financeiro do Banco Master

Foto: Divulgação/Banco Master

O escândalo do Banco Master se tornou um dos maiores casos de corrupção financeira da história recente do Brasil, com cifras bilionárias e ramificações nos Três Poderes.

O colapso do banco, controlado por Daniel Vorcaro, atualmente preso, gerou um rombo estimado em R$ 47 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor representa quase um terço do patrimônio do fundo, considerado uma das principais redes de proteção do sistema bancário brasileiro.

Segundo as investigações, a fraude envolvia a criação de créditos fictícios e a manipulação de balanços para ocultar a falta de recursos da instituição.

Com isso, o Banco Master conseguiu, por um período, aparentar lucro e solidez financeira para atrair investidores. A insolvência, no entanto, acabou exposta, levando à liquidação da instituição pelo Banco Central do Brasil.

Cronologia do caso Banco Master

Confira a sequência dos principais episódios que envolvem o caso:

2019: Origem do banco e primeiros indícios

Daniel Vorcaro assume o controle do antigo Banco Máxima. A instituição é rebatizada como Banco Master e passa a adotar uma estratégia de crescimento baseada na captação de recursos de pessoas físicas e em aquisições.

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que, já nesse período, o banco teria cooptado servidores do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves de Souza, para facilitar aprovações regulatórias.

2022: Aproximação política

Durante as eleições, o grupo de Vorcaro realiza doações vultosas e cede jatinhos para campanhas, estreitando laços com figuras do Legislativo e do Executivo.

2024: Operações suspeitas

O Banco de Brasília (BRB) inicia a compra de carteiras de crédito do Master.

A PF suspeita que os créditos, estimados em cerca de R$ 12 bilhões, eram inexistentes ou fraudulentos e teriam sido usados como um “socorro disfarçado” para ocultar a falta de liquidez da instituição.

2025: Crise, investigação e queda do banco

28 de março: O BRB anuncia a aquisição de 58% do Banco Master, em operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões.

31 de março: O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reúne-se com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para tratar da operação.

1º de abril: O Ministério Público do Distrito Federal abre inquérito civil para investigar a compra.

5 de abril: O Banco Central realiza reunião com grandes bancos para discutir soluções para ativos de maior risco do Master. A expectativa envolve o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

7 de abril: O Tribunal de Contas da União (TCU) abre processo para apurar possível omissão do Banco Central.

11 de abril: Galípolo reúne-se com Vorcaro, que também mantém contato com diretores da autoridade monetária.

28 de abril: O presidente do Banco Central descarta risco sistêmico no setor bancário.

30 de abril: O Ministério Público ajuíza ação para barrar a compra do Master pelo BRB.

2025: Disputas judiciais e regulatórias

6 de maio: A Justiça do Distrito Federal proíbe o BRB de assinar o contrato de compra.

9 de maio: O BRB derruba a liminar e retoma o caminho para a operação.

13 de junho: O banco estatal entrega documentos ao Banco Central, iniciando a análise formal da transação.

17 de junho: O Cade aprova a operação sem restrições.

19 de julho: Galípolo volta a se reunir com Vorcaro.

13 de agosto: A Justiça do Distrito Federal barra a compra até aprovação legislativa.

19 de agosto: A Câmara Legislativa do Distrito Federal autoriza a aquisição.

3 de setembro: O Banco Central rejeita a compra após meses de análise.

2025: Investigação criminal e colapso

30 de setembro: A Polícia Federal abre inquérito sobre o banco.

7 de outubro: Reuniões entre integrantes do Banco Central e da Polícia Federal tratam do caso.

17 de novembro: Vorcaro é preso em São Paulo ao tentar embarcar para Dubai. A PF aponta fraude estimada em R$ 12 bilhões.

18 de novembro: O Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master.

29 de novembro: Vorcaro é solto e passa a usar tornozeleira eletrônica.

2025: Pressão política e atuação no STF

2 de dezembro: O ministro Dias Toffoli impõe sigilo ao caso.

3 de dezembro: O ministro assume o controle das diligências da investigação.

11 de dezembro: Vem à tona contrato milionário do Master com escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes.

15 de dezembro: O STF autoriza a retomada de oitivas.

16 de dezembro: Manifesto com mais de 200 assinaturas cobra regras para a atuação de ministros do STF.

22 de dezembro: Reportagem aponta suposta pressão de Moraes sobre o Banco Central em favor do Master.

24 de dezembro: Toffoli determina acareação entre envolvidos, decisão posteriormente revista.

30 de dezembro: Vorcaro e ex-dirigentes do BRB e do Banco Central prestam depoimento à Polícia Federal.

2026: Desdobramentos e novas investigações

2 de janeiro: O TCU inicia análise de documentos sobre a atuação do Banco Central no caso.

8 de janeiro: A PF apura ataques coordenados nas redes sociais contra autoridades envolvidas na investigação.

14 de janeiro: Nova fase da operação da PF cumpre mandados e bloqueia R$ 5,7 bilhões em bens.

15 de janeiro: O Banco Central decreta a liquidação da Reag Trust, ligada ao esquema.

17 de janeiro: O FGC inicia o pagamento a clientes do Banco Master.

21 de janeiro: O Banco Central decreta a liquidação do Will Bank, ligado ao grupo Master.

6 de fevereiro: Em entrevista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admite ter recebido Daniel Vorcaro em audiência.

11 de fevereiro: A PF aponta possível suspeição do ministro Dias Toffoli no caso.

25 de fevereiro: Vorcaro, ex-diretores do Banco Master e familiares do ministro Dias Toffoli são convocados para depor na CPI do Crime Organizado, que apura possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

4 de março: Vorcaro é preso novamente, acusado de continuar operando o esquema e interferindo nas investigações.

5 de março: O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, autoriza a transferência de Vorcaro para a Penitenciária Federal em Brasília. No mesmo dia, vem a público relatório da PF apontando conversas intensas de WhatsApp entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes durante sua primeira prisão, em novembro de 2025.

6 de março: Um dos principais aliados do banqueiro morre após tentativa de suicídio na prisão.

13 de março: O STF mantém a prisão preventiva de Vorcaro. A defesa avalia acordo de delação premiada.

13 de março: Daniel Vorcaro troca a equipe jurídica, com a saída de Pierpaolo Bottini e a entrada de José Luís Oliveira Lima.

18 de março: A defesa de Vorcaro sinaliza a possibilidade de o cliente firmar acordo de delação premiada após reunião com André Mendonça.

19 de março: Após a Segunda Turma do STF manter sua prisão preventiva por maioria, Vorcaro assina um termo de confidencialidade e inicia negociações para um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

16 de abril: A PF deflagra a 4ª fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, é cumprida a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A PF reúne provas de que ele recebeu propinas milionárias de Daniel Vorcaro para facilitar e estruturar a tentativa de compra do Banco Master.

O advogado Daniel Monteiro, ligado a Vorcaro, também é preso preventivamente sob a acusação de operar os repasses e a lavagem de dinheiro do esquema.

28 de abril: A PF concentra esforços no bloqueio e rastreamento de R$ 50 bilhões em patrimônio de Vorcaro para cobrir o rombo financeiro. A lista inclui jatinhos, carros de luxo, embarcações e joias.

5 de maio: A defesa de Vorcaro oficializa e entrega o material preliminar da delação premiada, armazenado em um pen drive, à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

-O documento cita encontros, viagens e festas envolvendo políticos da esquerda, da direita e do Centrão. Além disso, Vorcaro admite um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, alegando busca por aproximação, mas sem troca de favores.

13 de maio: O caso explode no cenário pré-eleitoral. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admite ter solicitado recursos a Vorcaro para financiar a produção do filme "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Também é revelada uma transferência de US$ 2 milhões para um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

18 de maio: Vorcaro perde temporariamente o direito à sala de Estado-Maior e é transferido para uma cela comum após desentendimentos jurídicos.

20 de maio: A PF rejeita formalmente a primeira proposta de delação de Vorcaro por considerá-la insuficiente.

22 de maio: O ministro relator no STF, André Mendonça, mantém a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e nega pedidos de prisão domiciliar. No entanto, autoriza a transferência do banqueiro para uma sala de Estado-Maior na Superintendência da PF em Brasília, a fim de garantir melhores condições de custódia e facilitar o acesso dos advogados.

22 de maio: Vorcaro troca novamente a equipe jurídica. Sai Juca e a liderança passa a ser exercida por Sérgio Leonardo.

26 de maio: O deputado federal Lindbergh Farias (PT) aciona o STF solicitando a abertura de uma Notícia de Fato para investigar formalmente o clã Bolsonaro e o fluxo de dinheiro proveniente do ex-dono do Banco Master.

-No mesmo dia, relatórios da PF expõem a proximidade de Vorcaro com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, apontando o custeio de um evento de US$ 1 milhão em Nova York na véspera de aportes bilionários do Rioprevidência no banco.

28 a 30 de maio: Após a primeira tentativa de delação ser recusada, a defesa de Vorcaro muda de estratégia. Com o criminalista Sérgio Leonardo à frente do caso, o banqueiro pede formalmente à PF a reabertura das negociações. A nova oferta sinaliza a devolução histórica de R$ 60 bilhões e o detalhamento de operadores políticos.

1º de junho: A PF e a PGR dão um ultimato a Daniel Vorcaro para apresentar uma nova proposta de delação, enquanto o ministro André Mendonça avalia fixar um prazo para o encerramento das negociações. A PF também estuda acionar a difusão prateada da Interpol para identificar e congelar ativos remanescentes do banqueiro no exterior.

Veja o resumo no infográfico:

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