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Da TV ao WhatsApp: como o horário eleitoral pode influenciar a disputa ao governo da Bahia

Cientista política analisa efeitos da propaganda eleitoral em tempos de redes sociais

Por Ane Catarine Lima
Às

Da TV ao WhatsApp: como o horário eleitoral pode influenciar a disputa ao governo da Bahia

Foto: Divulgação

Na Bahia, onde o rádio e a televisão historicamente têm peso nas disputas eleitorais, a distribuição do tempo de propaganda gratuita começa a definir, a partir desta sexta-feira (28), as estratégias dos candidatos durante a campanha ao governo do Estado nas eleições de 2026.

De um lado, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) contará com quase cinco minutos de tela. Do outro, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, terá pouco mais de três minutos.

Em entrevista ao Farol da Bahia, o cientista político João Vitor Vilas Boas afirmou que a diferença de tempo pode representar uma "vantagem importante" para ACM Neto, mas não é suficiente, por si só, para definir os rumos da eleição.

"Em eleição, não basta ter mais tempo, é preciso saber transformar tempo em mensagem. Cinco minutos mal utilizados podem ser menos eficientes que três minutos e meio muito bem construídos", explica o especialista.

•LEIA TAMÉM: Veja quanto tempo cada candidato a governador da Bahia terá no horário eleitoral

A TV como ponte para o eleitor "não político"

Embora o marketing digital tenha ganhado espaço nas redes sociais, o horário eleitoral cumpre um papel fundamental no interesse público ao democratizar o acesso à informação política para quem não a busca ativamente.

Segundo João Vilas Boas, a televisão ainda detém uma capacidade única de falar com a sociedade como um todo, atingindo especialmente o eleitor menos politizado ou aquele que ainda está indeciso.

"Eu não diria que existe um eleitor que simplesmente se deixa guiar pela propaganda eleitoral. O que existe é um eleitor menos politizado, que não acompanha diariamente os candidatos nas redes. É aquele eleitor que não procura necessariamente a política, mas encontra a política na televisão, no rádio ou no celular", afirma.

O especialista alertou ainda que, enquanto as redes sociais segmentam a mensagem para públicos específicos que já acompanham os candidatos, a TV funciona como uma vitrine de construção de imagem para o grande público.

O efeito multiplicador: da TV para o WhatsApp

Diferentemente das campanhas de décadas passadas, o horário eleitoral nas eleições mais recentes não termina quando a televisão é desligada. Existe hoje o que João Vitor Vilas Boas chama de "efeito multiplicador". 

O conteúdo que vai ao ar na TV serve de base para a criação de cortes e vídeos curtos que inundam o Instagram, o WhatsApp e outras plataformas digitais.

O cientista defende que as campanhas modernas não devem escolher entre a internet e a TV, mas sim integrá-las.

No caso da Bahia, o desafio de ACM Neto, ainda segundo o especialista, será transformar seu tempo maior de tela em uma narrativa "capaz de permanecer na cabeça do eleitor", utilizando a televisão como o motor inicial de uma mensagem que se espalhará por todos os dispositivos.

Início da propaganda eleitoral gratuita

Com a estreia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão nesta sexta-feira (28), partidos, federações e coligações passam a disputar a atenção de mais de 158 milhões de eleitores na programação diária das emissoras.

A veiculação, regulamentada pela Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segue até 1º de outubro.

Ao todo, a propaganda eleitoral terá dois formatos nos próximos 35 dias:

•Programas em bloco: exibidos em rede nacional, com escala alternada entre os cargos em disputa: presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

•Inserções comerciais: as emissoras devem reservar 70 minutos diários da programação para comerciais de 30 e 60 segundos, distribuídos entre 5h e 0h.

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