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Temporada 2025/2026 de cruzeiros de cabotagem injeta R$ 4,28 bilhões na economia brasileira!

Aos detalhes...

Por Michel Telles
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Atualizado
Temporada 2025/2026 de cruzeiros de cabotagem injeta R$ 4,28 bilhões na economia brasileira!

Foto: Divulgação

A temporada brasileira de cruzeiros de cabotagem 2025/2026 recebeu 602.864 cruzeiristas e gerou impacto econômico de R$ 4,28 bilhões. Esta operação também foi responsável pela criação e manutenção de 64.529 postos de trabalho e pelo recolhimento de R$ 166,3 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.

Cada R$ 1 investido pelas companhias marítimas para viabilizar a temporada movimentou R$ 3,89 na economia brasileira. O Índice de Alavancagem Econômica demonstra como as despesas da operação se multiplicam e alcançam uma ampla cadeia que envolve portos, transportes, hospedagem, alimentação, comércio, serviços turísticos, abastecimento, logística, operadoras e agências de viagens.

Os dados fazem parte do Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a CLIA no Brasil e lançado durante o 8º Fórum CLIA Brasil 2026, em Brasília. A parceria entre as instituições completa 15 anos de produção de inteligência sobre os resultados da atividade no país.

Com sete navios, dois a menos que no ciclo anterior, a cabotagem embarcou 235.232 passageiros a menos do que em 2024/2025. Esse recuo de 28% no número de cruzeiristas foi acompanhado por reduções de 21% no impacto econômico e de 24% nos postos de trabalho sustentados. 

Do impacto econômico atual (R$ 4,28 bilhões), R$ 2,28 bilhões foram provenientes das despesas relacionadas à operação das companhias de cruzeiros, enquanto R$ 2 bilhões vieram dos gastos de cruzeiristas e tripulantes ao longo da viagem. 

Recursos chegam aos destinos e à cadeia turística

Nas cidades de escala, o impacto econômico direto, indireto e induzido gerado por cada cruzeirista chegou a R$ 800,98. Nos destinos de embarque e desembarque, onde a permanência e o consumo costumam ser maiores, o valor alcançou R$ 962,55 por passageiro.

Alimentação e bebidas e comércio varejista foram os segmentos que mais receberam recursos provenientes dos gastos de cruzeiristas e tripulantes. Juntos, movimentaram R$ 1,23 bilhão. Alimentação e bebidas somaram R$ 627,1 milhões, enquanto as compras no comércio movimentaram R$ 605,5 milhões.

Também foram movimentados R$ 294,6 milhões em transporte antes ou depois da viagem, R$ 248,1 milhões em passeios turísticos, R$ 127,6 milhões em transporte durante a viagem e R$ 92,1 milhões em hospedagem antes ou depois do cruzeiro.

Dos 64.529 postos de trabalho sustentados pela cabotagem, 1.208 correspondem a tripulantes dos navios e 63.321 a empregos diretos, indiretos e induzidos em diferentes segmentos da cadeia produtiva.

O tíquete médio da viagem foi de R$ 6.108,50 por passageiro, enquanto os cruzeiros tiveram duração média de 4,2 dias. O valor pago pela viagem e os gastos realizados a bordo não integram o cálculo do impacto econômico, que considera as despesas das companhias marítimas no Brasil e o consumo de passageiros e tripulantes fora dos navios.

“Os resultados mostram de forma muito clara que a oferta determina o tamanho do impacto gerado pelo setor. Tivemos dois navios a menos e uma redução de 28% no número de passageiros, o que significou menos recursos movimentados, empregos e tributos para o país. Mesmo assim, são resultados que demonstram a capacidade do setor de alcançar diferentes atividades e destinos”, afirma Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil.

Navios de passagem acrescentam R$ 480,94 milhões

Além da temporada de cabotagem, o Brasil recebeu 21 navios de passagem, frente a 29 no ciclo anterior. Pertencentes a 18 companhias, essas embarcações realizaram escalas em 35 destinos e contabilizaram 293.596 visitas de passageiros e 139.108 visitas de tripulantes ao longo da costa brasileira.

Os navios de passagem acrescentaram R$ 480,94 milhões à economia, valor aproximadamente 18% inferior ao registrado em 2024/2025, geraram cerca de 7,5 mil postos de trabalho e R$ 51,15 milhões em tributos.

Somados os resultados da cabotagem e dos navios de passagem, o impacto econômico do setor de cruzeiros marítimos no Brasil chegou a R$ 4,76 bilhões,  21% abaixo da temporada anterior, gerando pouco mais de 72 mil postos de trabalho e R$ 217,45 milhões em tributos.

Próxima temporada marca recuperação da oferta

Depois da retração registrada em 2025/2026, a próxima temporada apresentará uma recuperação da oferta. Entre 31 de outubro de 2026 e 9 de abril de 2027, oito navios operarão na costa brasileira: Costa Diadema, Costa Serena, Corazul Buenavista, MSC Virtuosa, MSC Splendida, MSC Divina, MSC Musica e MSC Seaview.

A capacidade total chegará a 817.562 leitos, crescimento de aproximadamente 24% em relação ao ciclo anterior. Estão previstos 187 roteiros, frente a 160 na temporada 2025/2026, e 675 escalas, ante 617.

Os embarques e desembarques ocorrerão em sete portos: Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá. Os itinerários também contemplarão cidades como Angra dos Reis, Búzios, Ilha Grande, Ilhabela e Recife, além de Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.

A recuperação ocorre em meio a rearranjos geopolíticos que favoreceram a presença de navios na região, mas não elimina os desafios estruturais que influenciam a competitividade do Brasil e da América do Sul. Custos operacionais, infraestrutura, regulação, carga tributária e segurança jurídica continuam determinantes nas decisões internacionais de posicionamento da frota.

“A próxima temporada traz uma recomposição importante, mas precisamos trabalhar para que ela se transforme em tendência. Os navios disputados pelo Brasil também podem operar em outros mercados. Ampliar de forma consistente a presença da indústria exige previsibilidade, infraestrutura adequada, custos competitivos e um ambiente regulatório alinhado à realidade internacional”, conclui Marco Ferraz.

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