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Danos à saúde causados pelo plástico podem dobrar até 2040, diz estudo

O estudo foi publicado na revista The Lancet Planetary Health

Por Da Redação
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Danos à saúde causados pelo plástico podem dobrar até 2040, diz estudo

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Um estudo divulgado pela revista The Lancet Planetary Health analisa os impactos do plástico em seis cenários diferentes, com uma previsão para o ano 2040. 

O plástico é um material amplamente utilizado que gera poluição durante todo o seu ciclo de vida, e que tem causado contaminações em oceanos e ecossistemas. Os chamados microplásticos, fragmentos do material em partículas minúsculas, se espalham pelo ar, pelo solo, e até em organismos vivos, como no corpo humano. O material é detectado no sangue, pulmões, cérebro e até em fezes de recém-nascidos.

Na extração do petróleo e do gás natural utilizados na fabricação, no transporte, e no descarte. Os pesquisadores do estudo avaliam que todas estas etapas geram gases de efeito estufa e substâncias químicas que prejudicam a saúde humana, de maneira direta ou indireta.

Segundo uma previsão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o consumo de plástico pode triplicar até 2060. Consequentemente, os impactos negativos também crescem.

No estudo realizado pela The Lancet Planetary Health, foi utilizado para os cálculos uma unidade de medida chamada "anos de vida ajustados por incapacidade", os chamados DALYs, na sigla em inglês. Um DALY representa um ano de vida saudável perdido, por morte prematura ou doença.

Os pesquisadores calcularam também a quantidade de plásticos estimada a cada ano, bem como quantos anos de vida a humanidade provavelmente perderá em 2040 de acordo com a quantidade de plástico existente. As previsões mostram quantas emissões estão associadas a cada quantidade de plástico. 

Emissões podem ser a poluição do ar por partículas, transporte de produtos plásticos, emissões de CO2 durante a fabricação do material, até a liberação de substâncias tóxicas provenientes do plástico.

Na pesquisa, 2016 foi considerado o ponto de partida. No ano, a humanidade perdeu cerca de 2,1 milhões de anos de vida pela quantidade de plástico existente.

No primeiro cenário, foi avaliado o resultado caso tudo permaneça igual até 2040, produzindo a mesma quantidade de plástico anualmente e a mesma quantidade de resíduos do material acabaria no meio ambiente. Neste cenário, o número de anos de vida perdidos seria mais que o dobro em relação à 2016: 4,5 milhões de anos.

No segundo cenário, os pesquisadores avaliaram o resultado supondo uma melhora no quadro: menos produção, utilização, mais reciclagem e melhor gestão do material descartado. Neste, a humanidade perderia 2,6 milhões de anos de vida, meio milhão a mais que 2016.

“Os mais de quatro milhões de anos de vida saudável perdidos em 2040 correspondem a cerca de cinco horas de vida saudável perdidas para cada pessoa na Terra”, diz Walter Leal, da Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo. Ele comenta o cenário em que não haveria mudança.

O plástico contribui com cerca de 4,5% das emissões de gases estufa ao longo de seu ciclo de vida. O percentual é menor do que as emissões na produção de energia ou agricultura, e o impacto do plástico na saúde é menor do que na poluição da atmosfera. Ainda sim, Leal avalia que o material é "uma importante fonte de partículas poluentes do ar". 

Autores destacam que o estudo não inclui todas as possíveis consequências do plástico na saúde, devido à falta de dados. Os efeitos negativos dos microplásticos e dos químicos liberados na produção, por exemplo, não puderam ser incluídos. 

No entanto, a coautora do estudo, Megan Deeney, avalia que as evidências são suficientes para que a humanidade busque mudança: “Temos evidências suficientes para saber que precisamos agir com urgência. Apesar das evidências existentes dos danos, a produção de plástico continua a aumentar rapidamente, e a poluição plástica está crescendo rapidamente em todo o mundo”.

A equipe de pesquisa destaca também que os riscos causados pelo material podem ser reduzidos por uma diminuição da produção do plástico virgem e no consumo do plástico de forma geral. Deeney afirma que o plástico deve ser usado somente em produtos "para os quais não haja alternativa" e que "substâncias químicas perigosas deveriam ser proibidas em todos os materiais". 

Ela defende também que essas medidas devem ser “harmonizadas internacionalmente por meio de um acordo global robusto e juridicamente vinculativo sobre plásticos, que abrangesse todo o ciclo de vida dos plásticos e das substâncias químicas perigosas que eles contêm”.

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