Dark Horse: Mario Frias é suspeito de liderar esquema de desvios
Dino retirou o sigilo sobre a investigação do caso Dark Horse e aponta suspeita de chefia de Frias no esquema

Foto: Roberto Castro/ Mtur
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou neste domingo (13) o sigilo das investigações sobre o filme Dark Horse e apontou a suspeita de que o deputado federal Mário Frias (PL) chefiou um esquema de desvio de verbas públicas.
Após a análise do material, Dino afirmou que reúne indícios da existência de um esquema articulado de desvio de dinheiro público com recursos de emendas parlamentares federais e da Prefeitura de São Paulo.
"Há uma alusão reiterada, no itinerário delicado, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que, no terreno hipotético da investigação, ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa." , destacou o ministro no documento despachado.
O despacho atribui Frias como "agente central" do esquema. Segundo a apuração, a circulação do dinheiro aconteceu com manobras de "circuito financeiro fechado", entre o deputado, a empresa Complexsys, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
A Complexsys foi contratada pelo ICB para executar os projetos custeados com recursos públicos e recebia repasses diretos do deputado. Paralelamente, o dinheiro era devolvido ao ICB, que por sua vez transferia quantias a ANC, entidade gerida pela mesma pessoa do ICB, a empresária Karina Gama, produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
"Essa circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas", diz a PF.
A investigação aponta, portanto, que o grupo criminoso direcionava recursos de emendas parlamentares diretamente para a produtora do filme Dark Horse, ao Up Entertainment, simulando custos para ocultar o repasse dos valores.
Operação deflagrada
Dino autorizou a Polícia Federal a investigar o suposto esquema desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e fraudes em ONGs para o financiamento de "Dark Horse".
A investigação aponta que os recursos destinados ao programa WiFi Livre SP teriam sido movimentados por meio de empresas subcontratadas e outras organizações sociais ligadas Karina Ferreira da Gama e Mário Frias.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, retenção de passaportes, proibição de saída do país e bloqueio de contato entre os investigados.


