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De mãe para filho: produtor mantém viva tradição do licor artesanal no quintal de casa, em Salvador

Por Glaucia Campos
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De mãe para filho: produtor mantém viva tradição do licor artesanal no quintal de casa, em Salvador

Foto: Giovanna Amorim/Farol da Bahia

No quintal de casa, no bairro da Saúde, em Salvador, Ivan Santiago produz cerca de 800 a 1000 litros de licor por ano. Aos 80 anos, ele mantém viva a tradição que aprendeu com a mãe quando ainda morava no município de Castro Alves, a cerca de 190 km de distância da capital baiana. 

“Eu via ela fazendo licor para o São João e fui aprendendo as ‘manhas’ e trouxe aqui para Salvador”, conta. Ivan começou a fazer e vender garrafas de licor para colegas de trabalho, porém quando se aposentou pode se dedicar de forma integral ao “Casarão”. Criada há 42 anos, a bebida foi nomeada de última hora, como homenagem à casa que ele havia comprado para viver com a família.

Todas as etapas do processo de fabricação da bebida são feitas por ele, desde a impressão dos rótulos, ao lacre das garrafas e as infusões das frutas com cachaça.  Ivan conta que o forte cheiro da água destilada acaba afastando a família das partes que envolvem manusear o licor. Porém, a arte do rótulo foi feita com ajuda do filho e que também o auxilia na produção de alguns vídeos. “Sou eu que trabalho, compro as garrafas, lavo tudo direitinho, enxugo, guardo, boto o rótulo, inclusive o rótulo eu mesmo imprimi. Foi criado pelo meu filho, que é formado em design”. 

O cardápio do “Casarão” varia de acordo com as frutas da estação e tem alguns sabores fixos, como jenipapo e tamarindo.  O jenipapo é considerado o “carro chefe” da casa para o produtor, tendo sido o primeiro sabor a ser feito por ele. “Daí foi passando para outros tipos, jabuticaba, maracujá, tamarindo, pitanga, amora, cambuí e outros. Eu vendo licor o ano inteiro, jenipapo, tamarindo são os que mais faço em quantidade e guardo. O resto é mais de acordo com a safra”. 

A produção 

Por ser em pequena escala e totalmente artesanal, Ivan conta que faz questão de ter atenção com todos os detalhes, a começar com a escolha dos ingredientes. As frutas e a cachaça são compradas em cidades do interior baiano, como Maragogipe e sua cidade natal Castro Alves “nada é daqui de Salvador, só os clientes”, brinca.

Na varanda, ficam dispostas as garrafas de licor prontas para venda juntamente com alguns vidros de infusões que já estão sendo preparadas para 2027. No fundo da casa, fica o maquinário, uma prensa grande de ferro e madeira usada para extrair a bebida, funis e barris com tamarindos e jenipapos que chegam a ficar mais de um ano apurando o sabor.

Ao abrir um dos barris, Ivan explica uma parte da feitura do licor de tamarindo, “Aqui é um tamarindo de infusão, tem aproximadamente 3 anos. Ele é complicado, espesso, vira lama. Depois vou filtrar até chegar ao ponto de vender para o cliente. O mínimo é 10 meses de infusão”.

Na época do São João, o ritmo das vendas intensifica e “O Casarão” passa a ser mais requisitado. Apesar da correria, o produtor destaca que a bebida “representa muita coisa e me ajuda bastante, eu faço mais por amor. Porque eu gosto de fazer”.

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