De patrimônio zerado a R$ 44 mil: como Gordinho da Favela declarou bens ao TSE
Vereador é alvo de investigação do MP-BA por suspeita de desviar recursos públicos

Foto: Divulgação
Alvo de uma operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que investiga suspeitas de fraudes em licitações na Prefeitura de Salvador, o vereador licenciado Gordinho da Favela (PP) passou de nenhum bem declarado à Justiça Eleitoral, em 2020, para um patrimônio de R$ 44,2 mil quatro anos depois.
Um levantamento do Farol da Bahia, feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o parlamentar não declarou bens na eleição em que foi eleito vereador pela primeira vez, em 2020.
Na disputa seguinte, em 2022, quando concorreu a deputado federal e ficou na suplência, informou patrimônio de R$ 12.468,44. Já em 2024, ao disputar a reeleição para a Câmara Municipal de Salvador, o valor declarado chegou a R$ 44.206,59.
Maior parte do patrimônio aparece como dinheiro em espécie
Na declaração apresentada em 2022, o patrimônio de Gordinho da Favela era composto por R$ 5 mil referentes a 50% do capital social da empresa Loja do Gordinho Ltda. e R$ 7.468,44 mantidos em conta corrente.
Em 2024, a composição mudou. Dos R$ 44.206,59 declarados, R$ 43.500 estavam registrados como "saldo em mãos", enquanto R$ 706,59 apareciam em conta corrente.
Vale ressaltar que a declaração de valores em espécie é permitida pela Justiça Eleitoral e, isoladamente, não representa irregularidade. O dado que chama atenção é a concentração de quase todo o patrimônio declarado nessa modalidade.
Investigação do Ministério Público
A Justiça da Bahia determinou na segunda-feira (13) a suspensão do mandato do vereador Gordinho da Favela após uma operação que investiga suspeitas de fraudes em licitações, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Prefeitura de Salvador.
Segundo o MP-BA, o vereador integraria um grupo suspeito de direcionar contratos públicos, superfaturar serviços e realizar pagamentos indevidos a servidores. O suposto esquema teria causado prejuízo estimado de R$ 38,3 milhões aos cofres municipais ao longo de 10 anos.


