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Decisão do governo brasileiro de barrar assessor dos EUA repercute na imprensa internacional

Cancelamento do visto de Darren Beattie gerou debate sobre relações entre Brasil e Estados Unidos

Por Da Redação
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Atualizado
Decisão do governo brasileiro de barrar assessor dos EUA repercute na imprensa internacional

Foto: Reprodução

A decisão do governo brasileiro de impedir a entrada no país de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, gerou repercussão na imprensa internacional e reacendeu discussões sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

O episódio ocorreu após o cancelamento do visto do funcionário norte-americano, que planejava viajar ao país para participar de um evento em São Paulo e também visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão em Brasília.

Segundo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, a revogação do visto ocorreu porque o assessor teria omitido informações relevantes no pedido de entrada no país. De acordo com integrantes do governo, houve “omissão e falseamento de informações” sobre o real objetivo da viagem.

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal após a defesa de Bolsonaro solicitar autorização para que o assessor realizasse a visita nos dias 16 ou 17 de março. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o encontro, mas revisou a decisão no dia seguinte.

Ao reconsiderar a autorização, o magistrado levou em conta informações encaminhadas pelo chanceler Mauro Vieira sobre o conteúdo do pedido de visto apresentado em Washington. Na decisão, Moraes apontou que a visita não estava relacionada às atividades oficiais declaradas e mencionou o risco de “indevida ingerência em assuntos internos”, argumento apresentado pelo Itamaraty ao tribunal.

Bolsonaro cumpre pena na unidade conhecida como Papudinha por decisão do STF, no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Durante agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que determinou a proibição da entrada do assessor norte-americano no país e relacionou a decisão a um impasse envolvendo vistos de autoridades brasileiras.

"Aquele cara americano que disse que vinha para cá, para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberarem os vistos do ministro da Saúde, que estão bloqueados", afirmou.

Em seguida, o presidente acrescentou: "Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele, de 10 anos".

A decisão foi destaque em veículos internacionais. O jornal britânico The Guardian avaliou que o episódio evidencia tensões persistentes entre Washington e Brasília.

"A medida expôs os muitos atritos que ainda persistem entre Washington e Brasília, apesar da relativa reaproximação entre Trump e Lula no final do ano passado. As relações despencaram para o ponto mais baixo em anos como resultado da campanha de pressão de Trump, com tarifas e sanções direcionadas a autoridades como Padilha. Mas, após o encontro dos dois presidentes na ONU em setembro passado, o clima melhorou, com Trump elogiando a 'grande química' entre eles", escreveu o jornal.

A agência Reuters também destacou o impacto diplomático da decisão.

"Beattie, um crítico do governo brasileiro, foi nomeado pelo presidente dos EUA para um cargo de consultor sênior para monitorar o país sul-americano no mês passado, o que sugere que as relações entre as duas nações permanecem delicadas", afirma a reportagem.

Já o jornal The New York Times apontou que a tentativa de visita ao ex-presidente brasileiro levantou preocupações sobre possível interferência política externa.

"O presidente Trump está tentando ajudar um aliado de direita no Brasil — mais uma vez", diz o texto publicado nesta sexta-feira.

O periódico acrescenta ainda: "Agora, o principal enviado do governo Trump para o Brasil está reacendendo os temores de que Washington não terminou suas investidas".

O The Washington Post destacou que a decisão do governo brasileiro também foi justificada com base no princípio da reciprocidade diplomática.

Apesar da repercussão internacional, integrantes do governo brasileiro classificam o episódio como pontual. Nos bastidores do Itamaraty, a situação tem sido tratada como um “episódio isolado de má-fé diplomática”, sem caracterizar uma crise bilateral entre os dois países.

Segundo fontes do governo, não há preocupação de que o caso comprometa um eventual encontro entre Lula e Donald Trump, que ainda não tem data definida.

Nos bastidores, Brasil e Estados Unidos continuam discutindo possíveis iniciativas de cooperação, especialmente no combate ao crime organizado. Entre as propostas em análise está um modelo semelhante ao adotado por El Salvador, que prevê a transferência de presos estrangeiros detidos nos Estados Unidos para cumprir pena em países parceiros.

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