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"Déficit público deve girar em torno dos R$ 500 bilhões", afirma secretário do Tesouro

Ele afirmou que é preciso proteger as pessoas mais vulneráveis

Por Da Redação
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"Déficit público deve girar em torno dos R$ 500 bilhões", afirma secretário do Tesouro

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Segundo informações do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, o Brasil deve fechar o ano de 2020 com um déficit primário de R$ 500 bilhões. De acordo com Mansueto, o volume de recursos que o governo terá de injetar para combater a pandemia do novo coronavírus (covid-19) colocará o déficit muito acima do resultado negativo de 2019, que foi de R$ 61 bilhões.

“O buraco fiscal no ano passado foi em torno de R$ 61 bilhões e, este ano, estamos caminhando tranquilamente para algo em torno de R$ 450, R$ 500 bilhões de buraco fiscal”, destacou Almeida durante videoconferência organizada pelos jornais Valor Econômico e O Globo. “A piora fiscal é forte, mas é necessária neste ano, e vamos ter que aceitar isso de forma adulta”, acrescentou.

O secretário pontuou ainda que o momento é de cuidar da saúde das pessoas e que também é preciso garantir renda dos trabalhadores mais vulneráveis, como os informais, que perderam por causa da pandemia. Para ele, as medidas adotadas até o momento pelo governo estão bem preparadas para os próximos três meses.

“É preciso proteger e dar renda a pessoas vulneráveis. Pessoas que não estão podendo trabalhar neste momento e não por culpa delas”, disse. “Se for preciso [medidas emergenciais para] mais de três meses, a gente vai ter que sentar à mesa para ver o que fazer”, destacou.

Questionado sobre a ajuda emergencial de R$ 600 aos trabalhadores informais e a beneficiários do Bolsa Família, Mansueto disse que os recursos ainda não chegaram devido à “dificuldade de entrega”.

“Todo mundo foi surpreendido pela velocidade desta crise que a gente está passando agora. Há um mês estávamos todos trabalhando, viajando, fazendo palestras sem saber que depois teríamos que ficar em casa”, afirmou. Ele citou o aplicativo criado pela Caixa Econômica para as pessoas se cadastrarem a fim de receber o benefício.

Ele também citou a decisão do governo federal de recompor os fundos de Participação de Estados e Municípios (FPE e FPM). A estimativa é que sejam repassados R$ 16 bilhões para recompor as perdas causadas pela redução na arrecadação. O secretário afirmou que talvez a medida não seja suficiente, mas que o governo está estudando outras soluções para que os entes federados tenham capacidade de investimento após o fim da pandemia.

“A questão do investimento é uma preocupação legítima, mas é algo para o pós-crise, agora devemos nos concentrar na saúde e nas pessoas”, afirmou. “Tenho muito medo de esse debate acontecer agora, porque estão misturando coisas essenciais com coisas de curto prazo e o melhor, no momento, é se concentrar no curto prazo”, concluiu.

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