Delegado da PF que atuou em investigações sobre Bolsonaro é nomeado assessor de Alexandre de Moraes
Portaria assinada por Edson Fachin prevê atuação do policial em processos criminais no gabinete do ministro

Foto: Rosinei Coutinho/STF
O presidente STF, Edson Fachin, nomeou o delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar como assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A portaria foi assinada na segunda-feira (9) e publicada nesta terça-feira (10) no Diário Oficial da União.
Especialista em atividades de contrainteligência, Shor participou de investigações de grande repercussão envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os casos estão os inquéritos relacionados aos atos de 8 de janeiro, à investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado e ao caso das joias sauditas.
Na apuração sobre a trama golpista, o delegado assinou, ao lado de outra integrante da Polícia Federal, o indiciamento de Bolsonaro e de outras 36 pessoas. O ex-presidente foi posteriormente condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Shor também foi responsável por conduzir depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, no acordo de colaboração premiada firmado pelo militar com a Polícia Federal.
Além dessas investigações, o delegado atuou no caso conhecido como “Abin Paralela”, que apura o uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitoramento de autoridades e adversários políticos durante o governo Bolsonaro.
No Supremo, Fábio Shor deverá auxiliar Alexandre de Moraes na análise de processos e ações penais que tramitam no gabinete do ministro.
A nomeação ocorre em um momento em que Moraes tem sido citado em reportagens relacionadas ao caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. As matérias apontam que o ministro teria sido destinatário de mensagens enviadas pelo empresário no dia 17 de novembro de 2025, poucas horas antes da primeira prisão de Vorcaro.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, Alexandre de Moraes negou que as mensagens tenham sido enviadas a ele.
Também foi mencionado que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, foi contratado por Vorcaro para prestação de serviços jurídicos.
Em comunicado, o escritório afirmou que "nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF)". A nota também informa que a contratação ocorreu entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 e que, nesse período, foram prestados serviços de consultoria e atuação jurídica ao cliente Banco Master.


