Deputado do PL atuou na Câmara para beneficiar Banco Master durante disputa pelo BRB, aponta levantamento
Deputado apresentou um projeto de lei para aumentar o limite do FGC de R$250 mil para 1 milhão

Foto: Reprodução/AgênciaBrasil
O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) atuou no mandato e na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara para beneficiar o Banco Master e pressionar o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no período em que Banco de Brasília (BRB) tentava comprar a instituição de Daniel Vorcaro.
Conforme um levantamento feito pela jornalista Malu Gaspar, o deputado apresentou requerimentos, um projeto de lei e convocou uma audiência pública entre 2024 e setembro de 2025, período que coincide com as tentativas do fundador do Master de conseguir mudanças regulatórias favoráveis ao banco.
A primeira ação foi um projeto de lei semelhante a uma emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$250 mil para 1 milhão. Este fundo era a base do modelo de negócios do Master, que prometia taxas de retorno acima das praticadas pelo mercado.
No entanto, a emenda havia sido rejeitada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da PEC 65/2025 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que sugeriu a mudança via projeto de lei, como fez Barros depois. O texto não chegou a ser votado.
Em junho de 2025, quando presidia a Comissão de Relações Exteriores, Barros pautou dois requerimentos. Um deles convidava o presidente da CVM, João Pedro Nascimento, para discutir o impacto da estrutura regulatória do mercado de capitais sobre a soberania econômica nacional, em audiência realizada em 8 de julho.
O outro convidava o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar de ataques hackers ao sistema do Pix, em um momento em que o BC já havia identificado fraudes nas carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB. Por se tratar apenas de convite, Galípolo não compareceu à comissão.
Em 3 de setembro de 2025, quando o Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB, Barros apresentou o requerimento questionando o encerramento da liquidação extrajudicial de duas outras instituições financeiras, o Banco Econômico e o Banco Nacional. Os requerimentos eram direcionados à Diretoria de Organização do Sistema Financeiros e de Resolução (Diorf), comandada por Renato Gomes, que era contrário à venda do Master ao BRB e defendia a liquidação do banco de Vorcaro.
Barros negou qualquer irregularidade nas ações. Sobre o projeto de lei do FGC, disse ter interesse na regulação do mercado financeiro e de capitais e que passou a estudar o tema por ser contrário ao modelo atual de autonomia do Banco Central. Sobre os requerimentos, na Comissão de Relações Exteriores, afirmou que "não é possível dissociar hoje a soberania nacional da econômica" e que o uso de sanções econômicas pelos Estados Unidos seria prova disso.


