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Despesas com precatórios trava receita dos Correios para garantir pagamento a bancos

Estatal enfrentou um aperto de caixa no segundo semestre de 2025, com falta de liquidez, ou seja, dinheiro em caixa

Por Da Redação
Às

Despesas com precatórios trava receita dos Correios para garantir pagamento a bancos

Foto: Reprodução/JornalNacional

O sindicato de bancos que emprestou R$1,8 bilhão aos Correios, em junho do ano passado, acionou uma cláusula de contrato para bloquear o dinheiro que a estatal recebia por meio do faturamento na prestação de seus serviços, durante o segundo trimestre de 2025. A informação foi divulgada em um documento de análise da situação econômico-financeira da estatal, elaborado pelo Departamento de Controladoria da Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI). 

O documento informa que o "faturamento imposto pelos credores caracteriza cenário de alta criticidade, com impactos financeiros, operacionais e institucionais de grande magnitude". Uma das cláusulas presentes no contrato de empréstimo feito pelo ex-presidente, Fabiano Silva dos Santos, com os bancos previa estabilidade no estoque de precatórios a pagar pelos Correios. 

No entanto, em função da necessidade de reconhecimento de novas perdas com processos judiciais durante o ano, a quantidade aumentou e a garantia foi acionada. O contrato previa os seguintes direitos aos bancos: 

Reter integralmente os valores depositados nas contas garantia; 

Executar de imediato as garantias fiduciárias; 

Exigir o pagamento antecipado da totalidade da dívida. 

Com isso, a estatal enfrentou um aperto de caixa no segundo semestre de 2025, com falta de liquidez - ou seja, dinheiro em caixa - o que comprometeu o pagamento de fornecedores e afetou a prestação de serviços da empresa. 

Solução

Para retomar o acesso ao faturamento pelos serviços prestados, os Correios buscaram renegociar o contrato de empréstimo com o sindicato de bancos, formado por Citibank, BTG Pactual e Banco ABC do Brasil. O acordo alterou o estoque de precatórios, que passou a ter limite máximo de R$ R$ 2,5 bilhões reconhecidos, além da suspensão da apuração de novos casos entre setembro e dezembro de 2025.

No entanto, a mudança gerou um custo financeiro adicional para a estatal. A empresa teve de arcar com o apagamento de uma taxa chamada de "dispensa de obrigação contratual", no valor de R$44,8 milhões, quitada em duas parcelas, uma em novembro e outra em dezembro de 2025. Em seguida, os Correios aceitaram alterar as condições financeiras do empréstimo. 

A taxa de juros que, no início era de 5% ao ano mais a taxa DI (taxa média de juros bancários aplicada em empréstimos), passou para 4% ao ano mais DI entre 28 de setembro e 28 de novembro. A partir de 28 de novembro, o percentual subiu para 5% ao ano mais DI. Com a renegociação, a taxa efetiva da operação aumentou de 21,99% ao ano para 25,67%. 

Por fim, os Correios também alteraram os prazos do contrato. Inicialmente os pagamentos estavam previstos para serem semestrais, a partir de maio de 2026, mas foram antecipados para janeiro de deste ano passaram a ser mensais. 

A tomada do empréstimo de R$ 12 bilhões se tornou uma prioridade sem precedentes para a estatal. Primeiro para recompor a liquidez financeira da empresa e, segundo para quitar o empréstimo de R$ 1,8 bilhão, que poderia causar mais problemas de liquidez à estatal.
 

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