Dia Mundial de Prevenção de Quedas: cair não é normal e pode ser sinal de alerta para a saúde!

Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça que quedas devem ser investigadas, especialmente quando ocorrem de forma recorrente ou envolvem pessoas mais vulneráveis

Por Michel Telles
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Dia Mundial de Prevenção de Quedas: cair não é normal e pode ser sinal de alerta para a saúde!

Foto: Divulgação

Cair pode parecer um acidente comum da rotina, mas não deve ser tratado como algo inevitável. No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, lembrado em 24 de junho, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz chama atenção para a importância de reconhecer a queda como um evento sentinela, definido pelo Ministério da Saúde como uma ocorrência inesperada que envolve óbito, lesão física ou psicológica grave, ou risco de sua ocorrência. No contexto das quedas, esse episódio pode indicar alterações de saúde, perda de força muscular, problemas de equilíbrio, uso de medicamentos, dificuldade visual ou riscos no ambiente.

Embora as quedas possam ocorrer em qualquer fase da vida, em casa, no trabalho, durante atividades físicas ou deslocamentos diários, o envelhecimento aumenta o risco de consequências graves. Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), mostram que 20,9% das pessoas com 60 anos ou mais relataram ter sofrido uma ou mais quedas nos últimos 12 meses. A prevalência cresce com a idade: entre pessoas de 80 anos ou mais, o índice chega a 29%. O levantamento também aponta maior ocorrência entre mulheres, com prevalência total de 24,9%, em comparação a 15,7% entre homens1.

Para o Dr. Marcelo Risso, médico ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o principal erro é naturalizar esses episódios. “Queda não deve ser vista como algo normal do avançar da idade. Quando uma pessoa cai, principalmente se isso acontece mais de uma vez, é preciso investigar. O normal é não cair. A queda pode ser um sinal de perda de massa muscular, alteração de equilíbrio, redução de reflexos, problema de visão, tontura, hipotensão postural, uso de medicamentos ou riscos dentro de casa”, explica.

As consequências podem ser importantes do ponto de vista ortopédico e funcional. Fraturas, traumas na coluna, lesões articulares, contusões, traumatismo craniano e perda de mobilidade estão entre os possíveis desfechos. No caso das pessoas mais velhas, uma das principais preocupações é a fratura de quadril ou fêmur. Segundo o ELSI-Brasil, 3% dos idosos que sofreram quedas tiveram fratura de quadril ou fêmur nos últimos 12 meses, percentual que chega a 7,6% entre aqueles com 80 anos ou mais1.

“Fraturas de quadril e fêmur têm grande impacto na vida do paciente. Muitas vezes exigem cirurgia, internação e um processo prolongado de reabilitação. Em pessoas mais frágeis, podem representar perda de independência, piora da qualidade de vida e aumento importante de risco clínico”, afirma Risso.

Segundo o especialista, as quedas em idosos costumam ser multifatoriais. Isso significa que, muitas vezes, não há uma única causa, mas uma combinação de fatores, como perda de massa muscular, menor velocidade de reflexo, alterações no labirinto, dificuldade visual, doenças associadas, uso de medicamentos e mudanças naturais na resposta do corpo ao levantar ou se desequilibrar.

“Quando uma pessoa jovem tropeça, ela costuma ter reflexo e força para recuperar o equilíbrio rapidamente. Com o envelhecimento, essa resposta pode ser mais lenta. Além disso, muitos idosos têm queda de pressão arterial ao levantar, usam vários medicamentos ou enxergam mal à noite. Tudo isso aumenta o risco”, explica o ortopedista.

A prevenção passa por medidas simples, mas que precisam fazer parte da rotina. Entre as principais recomendações estão evitar subir em cadeiras, mesas ou escadas sem segurança; usar calçados adequados; manter os ambientes bem iluminados; retirar tapetes soltos e obstáculos; instalar barras de apoio em banheiros; corrigir desníveis; revisar medicamentos com orientação médica; manter acompanhamento oftalmológico; e praticar exercícios voltados ao fortalecimento muscular, equilíbrio e mobilidade.

Um cuidado muitas vezes negligenciado é o deslocamento durante a noite. “É comum a pessoa levantar da cama para ir ao banheiro sem colocar os óculos, no escuro ou com pressa. Esse tipo de situação aumenta muito o risco de queda. Pequenas adaptações no ambiente e na rotina podem evitar acidentes graves”, reforça Risso.

Quedas também acontecem no esporte

Apesar de o Dia Mundial de Prevenção de Quedas ser frequentemente associado à população idosa, o tema também merece atenção em outras faixas etárias. No esporte, especialmente em atividades repetitivas como corrida, as quedas podem estar relacionadas à fadiga muscular, desequilíbrios de força, técnica inadequada, aumento brusco de carga, calçados impróprios ou superfícies irregulares.

“Na prática esportiva, a pessoa pode ter uma fraqueza muscular que não aparece nas atividades comuns do dia a dia, mas surge quando há esforço repetitivo ou fadiga. Em uma corrida, por exemplo, um grupo muscular pode chegar ao limite antes dos outros, gerando descoordenação e aumentando o risco de queda”, explica o médico.

Por isso, além do condicionamento físico, é importante respeitar a progressão dos treinos, realizar fortalecimento muscular, usar calçados adequados, observar o tipo de terreno e evitar aumentos repentinos de intensidade ou distância.

Quando procurar atendimento médico

A avaliação médica é recomendada quando houver dor persistente, dificuldade para caminhar, inchaço, deformidade, batida na cabeça, tontura, desmaio, uso de anticoagulantes ou quedas repetidas. Em idosos, mesmo quedas aparentemente leves merecem atenção, especialmente quando há histórico de osteoporose, perda de autonomia ou insegurança para se locomover.

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