Diretor da PF critica classificação de PCC e CV como organizações terroristas

Andrei Rodrigues afirma que medida não altera estratégia brasileira de combate ao crime organizado e defende cooperação entre os dois países

Por Da Redação
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Diretor da PF critica classificação de PCC e CV como organizações terroristas

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, classificou como um "equívoco" a decisão dos Estados Unidos de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. A medida, anunciada pelo governo norte-americano no fim de maio, entrou em vigor nesta sexta-feira (5).

Em entrevista à TV Globo, Rodrigues argumentou que grupos terroristas possuem motivações ideológicas ou religiosas, enquanto facções criminosas atuam com foco em atividades ilícitas voltadas ao lucro. Segundo ele, essa distinção exige estratégias específicas de enfrentamento por parte das autoridades.

"E essa definição [como terroristas] é um equívoco, porque a estratégia de enfrentamento é diferente para um grupo e para outro grupo. Então, nós não podemos confundir essas iniciativas, né? Para o cidadão pouco importa a definição, qual a semântica, o que vai ser chamado esse grupo que está impingindo o medo", pontuou.

O diretor-geral também pediu a cooperação entre as autoridades brasileiras e norte-americanas para a captura de foragidos que se encontram nos Estados Unidos e para o combate ao envio ilegal de armas ao Brasil.

Ao comentar a classificação adotada pelos Estados Unidos, Rodrigues afirmou que a medida não terá impacto sobre as políticas brasileiras de segurança pública nem sobre as ações da Polícia Federal.

"Há questões técnicas que precisam ser colocadas mas, ao mesmo tempo, tornar muito claro que para nós essa definição que os Estados Unidos atribui às organizações criminosas em nada altera o vigor e a firmeza que nós vamos seguir atuando contra o crime organizado. É motivação distinta, é objetivo distinto", destacou.

O diretor também afirmou que a PF não foi comunicada oficialmente sobre a decisão e soube da medida por meio da imprensa. Apesar disso, ressaltou que a cooperação entre Brasil e Estados Unidos segue mantida e que ainda não há indicativos de mudanças imediatas.

"Não tivemos nenhuma alteração, nenhuma interlocução que tenha sinalizado mudança imediata nessa cooperação. Precisamos aguardar para saber qual será a política dos Estados Unidos e se é o caso de haver alterações", afirmou.

Rodrigues acrescentou que a decisão norte-americana não interfere na atuação das forças de segurança brasileiras. "Na prática, essa decisão de um outro país soberano não tem nenhuma influência, não tem o condão de mudar as políticas públicas brasileiras. A nossa maneira de enfrentar o crime organizado é baseada na integração, na descapitalização dessas organizações criminosas e na prisão de lideranças", afirmou.

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