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Diretor do Master agradeceu a ACM Neto após banco conseguir autorização para captar recursos de fundos públicos

Mensagens mostram articulação antes de autorização para captar recursos de previdências estaduais e municipais, em maio de 2024.

Por Da Redação
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Atualizado
Diretor do Master agradeceu a ACM Neto após banco conseguir autorização para captar recursos de fundos públicos

Foto: Divulgação

O então diretor comercial do Banco Master, Fernando Mascarenhas, agradeceu a ACM Neto (União Brasil) pelo apoio após a instituição financeira conseguir autorização para captar recursos de fundos de previdência de estados e municípios, em maio de 2024. “Irmão, passando pra agradecer mais uma vez o seu apoio incondicional! Lista nova publicada, agora vamos pra cima”, escreveu o executivo ao político baiano em 3 de maio daquele ano.

A mensagem foi enviada após uma série de articulações que envolveram diretores do banco, o ex-prefeito de Salvador e o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. O episódio ocorreu em meio à tentativa do Master de ampliar a captação de recursos e enfrentar uma crise financeira.

Mensagens trocadas pelo WhatsApp entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seus interlocutores mostram que a inclusão na lista de instituições autorizadas a receber investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) era tratada como uma medida urgente. O banco havia ficado de fora da relação divulgada em abril de 2024, embora já tivesse recebido R$ 490 milhões de fundos estaduais e municipais.

ACM Neto participou das articulações

As conversas registradas nos dias seguintes à divulgação da lista mostram que Mascarenhas procurou ACM Neto para tratar do assunto. O diretor também buscou uma reunião com o então ministro Carlos Lupi.

Em 25 de abril, um dia antes de o banco formalizar sua insatisfação ao Ministério da Previdência, Mascarenhas se reuniu com o político baiano para discutir a questão. No dia seguinte, o Master enviou um documento à pasta contestando os critérios adotados para a inclusão das instituições na lista.

No texto, o banco afirmou que as novas exigências haviam surpreendido participantes do mercado e argumentou que as regras aplicáveis aos RPPS previam a obrigação de a instituição financeira constituir comitês de auditoria e de risco.

A instituição também alertou que permanecer fora da lista poderia representar riscos às suas atividades e gerar insegurança jurídica para o setor, inclusive em relação aos investimentos já realizados.

Após o encontro com ACM Neto, Mascarenhas informou a Vorcaro que gostaria de atualizá-lo sobre uma conversa com Lupi. A reunião com o ministro foi marcada para 2 de maio de 2024.

Banco Master voltou à lista em dez dias

Em 30 de abril, Mascarenhas informou a Vorcaro que havia recebido a indicação de que o banco seria incluído na lista. A confirmação veio dois dias depois, após o encontro com Lupi.

“Acabamos de receber um retorno da secretaria a respeito da nossa solicitação. A conclusão é de que o Banco Master cumpriu todos os requisitos e será incluído na lista exaustiva”, escreveu o diretor.

Vorcaro respondeu: “Show”.

Pouco depois, Mascarenhas enviou uma imagem da relação atualizada, com o nome do Master destacado. A lista foi publicada nos canais oficiais do Ministério da Previdência Social.

A atualização ocorreu dez dias após a divulgação da relação anterior, e o Banco Master foi a única instituição financeira acrescentada naquela ocasião. A autorização veio acompanhada da previsão de que o banco instalaria em breve um comitê de auditoria, apontado como um dos requisitos para receber os investimentos.

Mensagens mostram reação do banco à exclusão

Em 23 de abril de 2024, Fernando Mascarenhas comunicou a Vorcaro que o Ministério da Previdência havia divulgado uma lista de instituições autorizadas sem incluir o Master.

“Estamos sendo atacados de verdade! Precisamos contestar isso, eles não tem alçada para fazer isso”, escreveu Mascarenhas, segundo as mensagens.

O diretor sugeriu recorrer ao Banco Central para resolver a situação. Vorcaro, no entanto, orientou que a equipe buscasse diretamente a inclusão na lista da Previdência.

“Não interessa o Bacen pra nós agora. Você precisa levar a ata da assembleia que o banco já elegeu. E pedir para eles nos colocarem na lista”, respondeu o banqueiro.

Na avaliação do Master, instituições classificadas como S3, categoria que abrange bancos de porte médio, não precisariam de autorização expressa do Ministério para receber os investimentos, pois já estariam amparadas por resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN).

ACM Neto nega ter atuado em favor do banco

Segundo informações do UOL, ACM Neto era um dos responsáveis por atuar na captação de recursos de institutos de previdência estaduais para o Master.

Em uma proposta de delação premiada que foi rejeitada, Vorcaro afirmou que o político recebia 10% dos valores captados pelos institutos de previdência. Segundo o relato, os pagamentos ocorreriam em dinheiro vivo e por meio de contratos fictícios de consultoria. ACM Neto nega as acusações.

Em nota, o político afirmou que não participou do governo Lula e que nunca teve influência sobre decisões administrativas dessa natureza. Também negou ter participado de reuniões com integrantes do Executivo para tratar da inclusão do Master na lista de instituições autorizadas a receber recursos dos RPPS.

ACM Neto ainda criticou o que classificou como vazamentos seletivos e manipulados, que, segundo ele, teriam objetivo de exploração política durante o período eleitoral.

O que dizem o Ministério da Previdência e Carlos Lupi?

O Ministério da Previdência Social afirmou que o Banco Master só foi incluído na lista depois de cumprir os requisitos previstos nas normas. Segundo a pasta, em 29 de abril de 2024, o ministério foi informado de que o Banco Central havia autorizado a posse dos integrantes do comitê de auditoria da instituição.

Em nota, o órgão ressaltou que não tem competência para credenciar ou autorizar instituições financeiras, cabendo à pasta verificar o cumprimento das exigências estabelecidas. A lista, segundo o ministério, era atualizada sempre que uma instituição passava a cumprir — ou deixava de cumprir — os critérios previstos.

A pasta também afirmou ter identificado movimentações atípicas no mercado financeiro envolvendo o Master e disse ter iniciado ações de orientação, fiscalização e auditoria para proteger os recursos previdenciários de estados e municípios.

Carlos Lupi, que deixou o governo Lula após a crise relacionada às fraudes no INSS, negou ter atuado politicamente em benefício do banco.

“Este assunto foi tratado pela equipe técnica do ministério. Se no dia foi publicado, não teve qualquer ingerência que não seja técnica”, declarou ao UOL.

Lupi não respondeu se recebeu diretores do Master para tratar especificamente da lista. Fernando Mascarenhas, o Ministério da Previdência e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre os demais questionamentos apresentados pela reportagem.

Fundos públicos investiram R$ 4,5 bilhões no Master

De 2023 até a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a instituição captou R$ 4,5 bilhões de fundos de previdência estaduais e municipais.

Segundo as informações publicadas pelo UOL, a captação envolvia a atuação de ACM Neto, Antônio Rueda e Ricardo Siqueira, conhecido como “Gordo”, lobista que foi alvo de buscas na operação Compliance Zero.

Os valores investidos não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por isso, fundos estaduais tentam obter na Justiça o ressarcimento dos recursos por meio de bens bloqueados de investigados no caso do Banco Master.

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