Documentário expõe detalhes sobre prisão de brasileiro apontado como maior compartilhador de conteúdos de abuso de crianças em rede global
Fóruns digitais administrados por Lubasa tinham quase 2 milhões de usuários espalhados pelo mundo

Foto: Reprodução/Polícia Federal do Brasil/BBC
Um brasileiro, conhecido em fóruns digitais como Lubasa, apontado como o maior responsável pelo compartilhamento de conteúdos de abuso sexual infantil em redes globais, foi preso no ano de 2019, após operação da Polícia Federal. Apesar da prisão ter ocorrido há sete anos, o caso só foi detalhado na última quinta-feira (19), em documentário do jornal BBC.
A prisão foi mantida em sigilo com o intuito de desmascarar demais abusadores que frequentavam os sites. A PF temia que caso os demais criminosos soubessem da prisão de Lubasa, tentassem fugir.
A corporação detalhou que os fóruns de Lubasa tinham quase 2 milhões de usuários espalhados pelo mundo. Inicialmente, um dos colaboradores do brasileiro foi preso, um português conhecido na "dark web", uma parte oculta da internet só acessível por ferramentas específicas, como Twinkle.
Twinkle era o principal colaborador do BabyHeart, um dos fóruns mais violentos da dark web que abrigava cenas de abuso sexual de bebês. O investigado fornecia "uma quantidade quase inacreditável" de fotos e vídeos de abusos para o site, conforme relatado no documentário.
Ao todo, o criminoso português produziu e publicou na plataforma cenas de abusos de até 15 crianças diferentes. Embora tivesse problemas para encontrar a identidade dos criminosos, a polícia brasileira prendeu um abusador de crianças que se correspondia virtualmente com o criminoso português.
A prisão ocorreu na residência do criminoso, em um vilarejo no norte de Portugal. Ao arrombar a porta, a polícia o encontrou na cama ao lado de duas crianças. Os arquivos onde ele armazenava fotos e vídeos de abusos estavam enterrados em uma floresta vizinha à residência e também foram recuperados.
Os agentes questionaram como poderiam derrubar o site BabyHeart, e Twinkle afirmou que apenas Lubasa seria capaz. Twinkle cumpre hoje pena de 21 anos de prisão em Portugal.
A prisão de Lubasa ocorreu após vários meses de investigações, no momento em que os oficiais finalmente descobriram a identidade dele. A prisão, em 2019, ocorreu sob sigilo.
Conforme narrado por um dos policiais envolvidos, Lubasa ficou "surpreso, apático, calado, como se aquilo fosse inacreditável". O oficial afirma que o criminoso "acreditava que era inatingível."
Após meses de investigações, Lubasa foi condenado à 266 anos de prisão no Brasil. Durante a captura, a polícia encontrou os servidores que mantinham seus cinco fóruns de pedofilia no ar, no que os agentes classificam como "a maior apreensão de arquivos da dark web na história".
Os arquivos foram compartilhados com as polícias que compunham a coalizão e com a Interpol, maior organização policial do mundo que reúne 196 países para facilitar a cooperação global e o intercâmbio seguro de dados sobre crimes.
Com as informações, centenas de usuários dos fóruns de Lubasa foram identificados e presos em diferentes países.


