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Dofono Hunxi Martins critica declaração de Pablo Marçal sobre religiões de matriz africana

Convidado do Podomblé questiona associação entre candomblé e práticas de feitiçaria e destaca papel da religiosidade na preservação da população negra

Por Da Redação
Às

Atualizado
Dofono Hunxi Martins critica declaração de Pablo Marçal sobre religiões de matriz africana

Foto: FB Comunicações

O Podcast Podomblé recebeu Dofono Hunxi Martins para uma conversa sobre invisibilidade negra e os processos de apagamento que atingem a população negra em diferentes espaços da sociedade. Durante o episódio, ele comentou declarações do empresário Pablo Marçal sobre as religiões de matriz africana e criticou a forma como a religiosidade foi apresentada.

Marçal afirmou, em entrevista ao programa Falando a Verdade, que “se macumba funcionasse, Bahia era Dubai”. Na mesma ocasião, declarou não temer possíveis retaliações e afirmou que as religiões de matriz africana seriam brasileiras, mencionando ainda a predominância do cristianismo no continente africano.

Ao comentar as declarações, Dofono Hunxi Martins classificou as falas como ofensivas e afirmou que elas partem de uma compreensão equivocada sobre as práticas religiosas de matriz africana.

“É um absurdo, essas declarações ofensivas ao povo de Candomblé, principalmente ao povo baiano. Ele foi totalmente incoerente no que ele tá falando. Primeiramente que ele visa a religiosidade, coloca como macumba, como ebola, não entendendo que a prática religiosa não é pra isso, não é pra gente fazer bruxaria, fazer situações fantasmagônicas, mostrar que a gente consegue transformar a água em vidro, nunca foi isso.”

Para o convidado, a religiosidade também deve ser compreendida a partir das formas de organização e sobrevivência desenvolvidas pela população negra durante e após o processo escravista. Ele relacionou o apagamento desses conhecimentos ao epistemicídio, conceito que se refere à eliminação ou deslegitimação de saberes e formas de conhecimento.

“A perspectiva religiosa é a gente se cuidar enquanto sociedade que se organizou pra sobreviver ao processo escravista, que é um cuidado ainda mais amplo, e a religião que deu base a isso.”

Hunxi também contestou a associação entre riqueza e sucesso presente na declaração sobre a Bahia e Dubai. Segundo ele, a religiosidade de matriz africana trabalha com diferentes formas de compreender a prosperidade e a realização individual.

“Ele é tão rico, ele é tão rico, ele é tão rico que ele só tem dinheiro.”

Ao final, o convidado afirmou que a religiosidade também está relacionada à construção de vínculos e à convivência coletiva. “A Bahia é a maior diáspora negra e a religiosidade é isso que ela aplica na nossa vida, ter o bom caráter pra gente ter boas amizades pra que a gente possa estar em rede e feliz.”

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