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Dois investigados faltam a depoimentos sobre Master e um não responde a perguntas

Não compareceram aos depoimentos desta segunda o dono da consultoria Tirreno Henrique Souza e Silva Peretto e o diretor da consultoria e ex-funcionário do Master André Felipe de Oliveira Seixas Maia

Por FolhaPress
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Dois investigados faltam a depoimentos sobre Master e um não responde a perguntas

JOSÉ MARQUES E CONSTANÇA REZENDE - Dois dos quatro investigados no caso do Banco Master que prestariam depoimentos nesta segunda-feira (26) à Polícia Federal se ausentaram, e um terceiro decidiu não responder a perguntas e fez apenas uma manifestação inicial.

As defesas deles comunicaram às autoridades que não tiveram acesso aos autos da investigação, e solicitaram que as audiências fossem remarcadas para depois que isso acontecesse.

Esse pedido de remarcação dos depoimentos tem de ser feito pela PF ao ministro Dias Toffoli, que é o relator do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal).

Não compareceram aos depoimentos desta segunda o dono da consultoria Tirreno Henrique Souza e Silva Peretto e o diretor da consultoria e ex-funcionário do Master André Felipe de Oliveira Seixas Maia.

O ex-funcionário do Master Alberto Felix de Oliveira Neto manteve silêncio durante a audiência e fez apenas uma declaração para afirmar que não tinha poder de deliberação no banco, e apenas cumpria ordens.

Os depoimentos aconteceram em sessões fechadas na sede do STF, de forma presencial ou por vídeo, e as duas ausências e a falta de manifestação foram confirmadas pela reportagem com pessoas que acompanham as apurações.

A Tirreno é uma empresa que as investigações apontam ser de fachada e que foi usada na tentativa de venda do Master ao BRB (Banco de Brasília).

O Master é suspeito de ter fraudado carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões vendidas ao BRB, que foram adquiridas da Tirreno e teriam origem em operações de empréstimo consignado firmadas por meio de associações de servidores públicos da Bahia.

Investigações do Banco Central, do MPF (Ministério Público Federal) e da PF apontaram indícios de que os créditos haviam sido forjados e foram utilizados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que repassou a carteira ao BRB num momento em que a instituição enfrentava dificuldades de liquidez.

O Master adquiriu créditos de dívidas da Tirreno "sem realizar qualquer pagamento", segundo as investigações, e os revendeu ao BRB.

Maia e Peretto são dois dos quatro investigados que seriam ouvidos nesta segunda pela PF na sede do Supremo, de forma presencial ou por vídeo.

Peretto foi responsável por aumentar o capital social da Tirreno, que saiu de R$ 100 para R$ 30 milhões. Para a PF, esse aumento é incompatível com a operação regular da Tirreno e foi feito para dar uma falsa aparência de capacidade econômica e ocultar sua finalidade como empresa de fachada.

Já o ex-funcionário Alberto Félix de Oliveira Neto foi signatário do contrato de parceria entre o Master e a Tirreno, além de outros contratos sob investigação. Ele é investigado sob suspeita de diversos crimes contra o sistema financeiro nacional.

Em sua manifestação inicial, ele disse que não teve acesso às investigações e negou ser diretor do Master, como diz a investigação, mas apenas um funcionário sem poder de deliberação.

Também afirmou que assinou alguns contratos por procuração como era comum acontecer no Master quando os funcionários eram requisitados. De acordo com Alberto Félix, precisava haver um quórum de dois funcionários para assinar um contrato e, quando não havia diretor presente, eles eram solicitados a assinar.

Procurada, a defesa de André Felipe afirmou que está sem acesso aos autos e, dessa forma, não há como prestar esclarecimentos. A defesa de Alberto Felix não se manifestou. Os advogados de Peretto não foram localizados.

Pela manhã, foi ouvido presencialmente pela PF o ex-diretor financeiro do BRB Dario Oswaldo Garcia Júnior.

Ele é investigado junto com o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa por suspeita de gestão fraudulenta e associação criminosa, pela tentativa de salvamento do Banco Master.

Segundo as investigações, sua atuação teria viabilizado aportes do banco público para socorrer o Master em sua crise de liquidez. Ele era responsável por garantir que as informações enviadas ao Banco Central estivessem em conformidade com as normas legais.

Dario foi ouvido pela PF e respondeu todas as perguntas feitas pelos investigadores.

Estavam previstos oito depoimentos nesta segunda e terça-feira (27).

A expectativa era a de que mais pessoas fossem ouvidas pela PF, que havia intimado, inclusive, o dono do banco, Daniel Vorcaro, para novo depoimento. Porém, o ministro Toffoli determinou a redução do prazo para oitivas, de seis dias para dois dias, e a PF apresentou um novo cronograma sem o ex-banqueiro.

Em 30 de dezembro, Vorcaro foi ouvido no mesmo no STF, além do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

Em seguida, Vorcaro e Costa, do BRB, participaram de uma acareação, que tratou de divergências sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores, do Master para o BRB.

Em declarações públicas, as defesas dos investigados têm negado que cometeram irregularidades.

 

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