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Dólar cai abaixo de R$ 5 com cenário político brasileiro no radar; Bolsa sobe com correção

Movimentação do mercado financeiro ocorre em meio a temor de dificuldade da eleição de Flávio Bolsonaro, após revelação de ligação com Vorcaro

Por FolhaPress
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Dólar cai abaixo de R$ 5 com cenário político brasileiro no radar; Bolsa sobe com correção

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O dólar fechou em queda de 0,31%, a R$ 4,987, nesta quinta-feira (14), com investidores corrigindo parte da volatilidade da véspera (13) e ainda atentos ao cenário político brasileiro. O movimento reverte parcialmente o observado na quarta-feira (13), quando a moeda americana disparou após a revelação de que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

Também influenciada pela correção do mercado, a Bolsa encerrou o dia em alta de 0,71%, aos 178.365 pontos.

Na quarta-feira, o dólar fechou em forte alta, a R$ 5,003, avanço de 2,24%, e o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, em queda de 1,79%.

Após a volatilidade, analistas enxergaram um movimento de realização de lucros no pregão desta quinta, ou seja, investidores aproveitando as altas recentes para vender ações e embolsar ganhos.

"O mercado aproveita o patamar mais alto da moeda para vender por um valor mais atrativo, e isso tem gerou uma pressão baixista", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

A correção também aparece nos juros futuros. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, caem. A taxa do DI para janeiro de 2028 recua para 13,99% (baixa de 8 pontos-base, ante alta de 23 pontos-base na véspera). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marca 14,11%, baixa de 5 pontos-base, frente a avanço de 27 pontos-base na quarta.

O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de "Dark Horse", que trata da vida do ex-presidente, e um áudio de setembro de 2025 mostrou o senador do PL cobrando mais recursos de Daniel Vorcaro. As informações foram reveladas pelo site The Intercept Brasil, e a autenticidade das mensagens foi confirmada pela Folha de S.Paulo.

Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram usados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Esses recursos teriam sido transferidos a um fundo sediado no Texas, nos EUA, por uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações.

A revelação foi responsável pela maior alta do dólar desde 5 de dezembro, quando a moeda disparou 2,33% após Flávio ser anunciado como candidato de Jair Bolsonaro. Até então, o nome preferido da Faria Lima era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A movimentação do mercado financeiro ocorreu em meio ao temor de que a notícia dificulte a tentativa de eleição de Flávio, o que poderia favorecer uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula. Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.

"Quando saiu a notícia sobre Flávio Bolsonaro, isso começou a pesar. As contas públicas têm gerado preocupação diante das medidas adotadas pelo governo para recuperar popularidade. O mercado entende que, caso essa política continue, os riscos fiscais podem se agravar", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Até agora, o governo Lula anunciou 11 medidas que somam R$ 144 bilhões em gastos. As ações são definidas como pacotes de bondades.

Neste pregão, investidores também acompanharam as novas investigações de fraude no banco Master que resultaram na prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono da instituição financeira.
Henrique Vorcaro, segundo investigação da PF, fazia demandas, efetuava pagamentos e também pedia serviços a outro grupo, "Os Meninos", que reunia hackers que tentariam derrubar do ar reportagens para o grupo Master, publicando conteúdos positivos para Vorcaro.

No cenário internacional, as incertezas sobre a guerra no Irã persistiram. O conflito pressiona as cotações do petróleo a adiciona incertezas as cadeias globais de insumos.

Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, se reuniram. O americano chegou a Pequim na noite de quarta-feira (13) e terá agendas com o líder chinês até sexta-feira (15).

Segundo Trump, o presidente chinês ofereceu ajuda do país asiático para abrir o estreito de Hormuz e prometeu não enviar equipamentos militares para auxiliar o Irã em sua guerra contra os EUA e Israel.

As falas de Trump —não confirmadas por Pequim— vão além do comunicado oficial da Casa Branca, que afirmou que o americano e Xi concordaram que o estreito de Hormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, deve permanecer aberto e que o Irã não deve ter posse de armas nucleares.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, os sinais do encontro foram construtivos entre Trump e Xi. "O câmbio passou a corrigir parte do movimento, acompanhando também um ambiente externo mais favorável [...] O mercado seguiu cauteloso, o mercado seguiu cauteloso, monitorando os desdobramentos políticos locais e o potencial impacto sobre a percepção de risco doméstico".

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