Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio no radar

Bolsa brasileira oscilou ao longo do pregão e encerrou a sessão com variação negativa de 0,19%

Por FolhaPress
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Dólar e Bolsa fecham em queda com guerra no Oriente Médio no radar

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O dólar fechou em queda de 0,41% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 5,088, com investidores monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Uma nova troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irã manteve os mercados sob pressão, mas sinais de uma possível trégua reduziram a aversão ao risco. Nesta sessão, o petróleo Brent subiu 1,01%, cotado a US$ 89 o barril.

A Bolsa brasileira oscilou ao longo do pregão e encerrou a sessão com variação negativa de 0,19%, aos 173.371 pontos, segundo dados preliminares.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, afirma que o alívio no câmbio refletiu um ambiente externo mais favorável, com a redução das tensões no mercado de petróleo diante de sinais de mediação na guerra do Irã.

Segundo ela, como a agenda econômica da semana é mais esvaziada, nos próximos dias, o dólar deve reagir principalmente ao noticiário político e à entrada em vigor da tarifa americana sobre produtos brasileiros, prevista para quarta-feira (22).

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda que atingiu alvos militares americanos em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios dos EUA contra cidades iranianas.

Este foi o nono dia consecutivo de ataques. As ofensivas dos dois países encerraram o cessar-fogo firmado no mês passado, que havia proporcionado um alívio temporário aos mercados após acusações mútuas relacionadas ao controle iraniano sobre o Estreito de Hormuz.

A nova fase da guerra deslocou o foco para a via marítima, responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. O fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã e os ataques a navios petroleiros reacenderam a pressão sobre os preços da commodity, que chegou a cair para US$ 70 o barril após o cessar-fogo e voltou ao patamar de US$ 90 no fim de semana.

Tanto os EUA quanto o Irã sinalizaram que estariam dispostos a retomar as negociações para chegar a uma trégua definitiva.

Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores do conflito apresentaram à Teerã uma proposta que prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.

O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que "se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta". No entanto, acrescentou que o "comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude".

Apesar dos sinais de retomada das negociações, a guerra segue se expandindo. Os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram que impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita. A medida abre uma nova frente no conflito e amplia os riscos para o abastecimento global de energia para além da região do Golfo.

Em Wall Street, as Bolsas tiveram desempenho negativo, mas contaram com uma recuperação das ações de empresas de chips e semicondutores após as perdas da última sexta-feira (17).

O S&P 500 recuou 0,19% e o Nasdaq caiu 0,05%, enquanto o Dow Jones caiu 0,59%. Na sessão anterior, o mercado havia sido pressionado pelo balanço da Netflix e pela forte queda das ações de fabricantes de chips.

Com uma agenda de indicadores econômicos mais esvaziada, os investidores voltam as atenções nesta semana para a temporada de balanços nos EUA, com resultados de empresas como Alphabet, Tesla, IBM e Intel, que devem ditar o rumo dos mercados.

No Brasil, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, diz que "o desempenho reflete menos o cenário externo e mais a incerteza que segue pairando sobre o ciclo de corte de juros".

O Boletim Focus desta segunda mostrou que economistas reduziram a previsão da inflação neste ano pela terceira semana consecutiva, mas em um ritmo menor do que nos levantamentos anteriores.

Analistas ouvidos pelo BC (Banco Central) esperam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) termine 2026 a 5,15%, apenas 0,01 ponto percentual a menos do que na semana passada. No último levantamento, a queda havia sido de 0,14 ponto percentual.

Mesmo com a diminuição, a previsão da inflação ainda segue acima do limite da meta, que é de 3% com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para a taxa Selic, a previsão para dezembro segue em 14% ao ano —apenas 0,25 ponto percentual abaixo do atual patamar, de 14,25% ao ano.

"O mercado segue esperando um corte da Selic para 14% na próxima reunião, mas a curva de juros não reflete o mesmo otimismo para o horizonte mais longo, sinal de que ainda há dúvidas sobre até onde o ciclo de afrouxamento pode avançar. Essa indefinição tende a manter o câmbio e a Bolsa mais sensíveis a qualquer ruído, doméstico ou externo", diz Shahini.

De acordo com Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o cenário ainda favorece aplicações em renda fixa. "Juros nominais elevados, combinados com uma inflação em desaceleração, preservam retornos reais atrativos para investidores conservadores e moderados", afirma.

Segundo ela, a expectativa de cortes graduais na Selic também mantém o potencial de valorização de títulos prefixados e indexados à inflação comprados em níveis elevados de taxa. Ao mesmo tempo, financiamentos e empréstimos devem continuar relativamente caros no curto prazo.

Nesta sessão, os juros futuros encerraram com leves baixas na ponta curta e leves altas na ponta longa da curva. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 fechou em 14,105%, estável em relação à sessão anterior. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2035 encerrou em 14,620%, alta de 0,02 ponto percentual.

Já o rendimento da Treasury de dez anos caiu 0,04 ponto percentual, para 4,591%. Nesta sessão, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,20%, aos 100,97 pontos.

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