• Home/
  • Notícias/
  • Eleições /
  • Eduardo Bolsonaro ameaça retaliar diplomatas que 'sabotaram' governo de seu pai caso Flávio seja eleito

Eduardo Bolsonaro ameaça retaliar diplomatas que 'sabotaram' governo de seu pai caso Flávio seja eleito

Ex-deputado promete "faxina" no Itamaraty caso Flávio Bolsonaro vença a eleição

Por FolhaPress
Às

Atualizado
Eduardo Bolsonaro ameaça retaliar diplomatas que 'sabotaram' governo de seu pai caso Flávio seja eleito

Foto: Saul Loeb/AFP

PATRÍCIA CAMPOS MELLO/FOLHAPRESS - Em vídeo publicado na tarde desta quarta-feira (30) em suas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro prometeu fazer "uma faxina" no Itamaraty caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição.

Aumentando temores de que haveria uma "caça às bruxas" no Ministério das Relações Exteriores em um governo de Flávio, Eduardo afirmou que "mapeou" todos os embaixadores que saíram e entraram em postos no governo Lula e que estará "na cola" dos servidores que "sabotaram" o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Então, meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola", diz Eduardo no vídeo. "Se você não fez isso, parabéns, você fará parte do time que vai resgatar a credibilidade do Itamaraty, que vai virar a página, de serem servidores de corruptos e filhos de corruptos para passar a servir o povo brasileiro."

O ex-deputado inicia o vídeo mostrando um áudio de uma suposta mensagem de um diplomata brasileiro oferecendo ajuda da embaixada do Brasil na Espanha para encontrar uma escola para os filhos de Lulinha, que se mudou para Madri, em 2025.

"Eu não tive recepção de embaixador, de diplomata, nem nada [quando mudei para os EUA]", diz Eduardo. "O dinheiro do brasileiro não é para proteger filho do presidente."

Ele prometeu retaliação contra o embaixador do Brasil na Espanha, o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo. "Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente um dos primeiros a sair do posto será o embaixador do Brasil na Espanha para dar o exemplo de que isso não acontecerá."

Eduardo vive nos EUA desde março de 2025, quando deixou o Brasil afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) recolheria seu passaporte para impedir sua articulação internacional contra o julgamento do pai no caso da trama golpista.

Naquele momento, licenciou-se por quatro meses do mandato de deputado e, encerrado o afastamento, permaneceu no exterior e passou a acumular faltas na Câmara. Em dezembro, perdeu seu mandato por excesso de ausências.

Já em junho deste ano, o STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, por articular nos EUA medidas de pressão contra autoridades brasileiras para interferir no processo contra o pai. Em setembro, ainda perdeu seu cargo de escrivão da PF por abandono de cargo.

Como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo, em caso de vitória de Flávio, há uma avaliação de que Eduardo sairia muito fortalecido, após o lobby por medidas de Trump contra o governo Lula, e seria difícil negar o comando do Itamaraty se ele quiser. Mas uma alternativa em discussão seria Eduardo assumir a Embaixada do Brasil em Washington.

No vídeo, Eduardo afirma que houve uma "sabotagem" ao governo Bolsonaro por parte dos diplomatas e que "eles ficaram tão à vontade que colocaram isso na matéria do Jamil Chade de maneira heroica".

A reportagem do então colunista do UOL relata a existência de uma rede clandestina de diplomatas do Itamaraty que, durante o governo Jair Bolsonaro, teria atuado para conter ou contornar diretrizes da política externa do governo. 

"[A faxina] é para evitar esse tipo de coisa e relembrar que diplomatas, embaixadores e qualquer cargo dentro do Itamaraty são de servidores públicos, que servem ao público, não a seus próprios gostos, inclusive isso configura o crime de prevaricação."

Em conversas fechadas, Marcos Degaut, braço direito de Eduardo em política externa, afirmou que há o plano de implementar o "Marco Rubio overhaul" (reforma do Marco Rubio), uma ampla reestruturação das carreiras no Itamaraty.

Os diplomatas passariam a estar focados em regiões geográficas e temas específicos e teriam de cumprir metas de exportação, investimentos e inserção comercial, entre outras. Haveria também uma reforma total do sistema de promoções, fonte de insatisfação disseminada no Itamaraty hoje.

No Departamento de Estado, o "overhaul" de Rubio levou à eliminação de 1.300 vagas, fechamento de departamentos e postos, estabelecimento de metas quantitativas e qualitativas (com critérios como fidelidade à agenda de Donald Trump).

Rubio decretou que mérito seria o principal critério para promoções, não tempo de carreira. Sob seu comando, o Departamento de Estado atingiu número recorde de indicados políticos em substituição a funcionários de carreira -apenas 9% dos embaixadores vêm do serviço diplomático. Durante os 50 anos anteriores, esse percentual variou de 57% a 74%.

Degaut afirmou a interlocutores ouvidos pela reportagem que haveria necessidade de atribuir funções a algumas pessoas de fora do Itamaraty. Mas disse que não haverá uma caça às bruxas com perseguição por motivos políticos.

Propostas de política externa de Lula e Flávio Bolsonaro

Resumo dos programas de governo entregues pelas campanhas à Justiça Eleitoral:

Lula (PT)

  • Tratar como prioridade a implementação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o combate à crise climática, inclusive o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), ambas iniciativas criadas pelo governo Lula;
  • Fortalecer setor de inteligência para proteção de soberania e ameaças geopolíticas, cibernéticas e do crime organizado transnacional;
  • Fortalecer vigilância territorial, proteção de recursos naturais e combate ao crime organizado transnacional;
  • Fortalecer Mercosul e aprofundar redes multimodais, em especial conexões com o Pacífico e o Caribe;
  • Fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA);
  • Aprofundar relações com a África e a cooperação na área do Atlântico Sul e com os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como a União Africana e a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático);
  • Defender reforma da ONU e maior representatividade do Conselho de Segurança, assim como da OMC e de instituições financeiras globais, como FMI, Banco Mundial e o chamado Banco do Brics; aprofundar aproximação ao Brics, ao chamado Sul Global e ao G20;
  • Quer liderar governança internacional para tecnologias digitais e inteligência artificial.

Flávio Bolsonaro (PL)

  • Abertura comercial: quer evitar a dependência de áreas críticas, como cadeias de suprimentos e de tecnologia;
  • Retomar cronograma de adesão à OCDE;
  • Encerrar gradualmente o IOF sobre o câmbio;
  • Buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da União Europeia aos produtos nacionais;
  • Implementar plano nacional de integração às cadeias globais de valor, tendo como prioridade agroindústria avançada, minerais críticos, saúde e economia digital;
  • Colocar Brasil entre os principais destinos mundiais de investimento em transição energética até 2030;
  • Combate ao crime organizado é tratado como questão de segurança e defesa nacional;
  • Incentivar tecnologias como drones e inteligência artificial.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário

Nome é obrigatório
E-mail é obrigatório
E-mail inválido
Comentário é obrigatório
É necessário confirmar que leu e aceita os nossos Termos de Política e Privacidade para continuar.
Comentário enviado com sucesso!
Erro ao enviar comentário. Tente novamente mais tarde.