Em crise, Correios põem imóveis à venda em todo Brasil e visam arrecadar até R$ 1,5 bilhão
Os primeiros leilões estão agendados para acontecerem nos dias 12 e 26 de fevereiro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em crise financeira, os Correios anunciaram nesta sexta-feira (6) que colocarão imóveis próprios à venda em diferentes estados do país como parte do plano de reestruturação da estatal. A expectativa da empresa é de poder arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro com a comercialização de ativos considerados ociosos.
Os primeiros leilões estão agendados para acontecerem nos dias 12 e 26 de fevereiro. Nesta etapa de início, serão oferecidos 21 imóveis. De acordo com os Correios, os certames serão 100% digitais e poderão ter participação de pessoas físicas e jurídicas.
A empresa disse que a venda de imóveis faz parte de um conjunto de medidas feitas para reorganizar as finanças, diminuir os custos fixos e recuperar a capacidade de investimento.
Segundo os Correios, os imóveis da primeira fase estão localizados em 12 estados: Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo.
O portfólio ainda tem vários tipos de propriedades, como prédios administrativos, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Os valores variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, segundo a estatal.
Os Correios afirmam ainda que as alienações não deverão afetar a prestação de serviços à população e que outros imóveis ainda estão em fase de preparação para venda.
As informações relacionadas aos leilões, como editais, fotos dos lotes e regras de participação, estão disponibilizadas nos canais oficiais da empresa e da leiloeira responsável.
Crise dos Correios
A venda de imóveis acontece diante de uma crise financeira considerada histórica nos Correios. Como parte do plano de recuperação judicial, a estatal abriu prazo no começo de 2026 para funcionários aderirem a um programa de demissão voluntária.
De acordo com a empresa, a expectativa é diminuir em aproximadamente 15 mil o quadro atual de cerca de 90 mil empregados. O programa visa ainda a reorganização de cargos e mudanças em benefícios, como plano de saúde e previdência. Os Correios informaram que ainda não possuem balanço de quantos funcionários aderiram.
A estatal diz que não tem intenção de economizar R$ 2 bilhões anualmente a partir de 2027 com as medidas.
Um gráfico feito pela própria empresa aponta que os gastos com o pessoal aumentaram nos últimos anos. Em 2022, as despesas foram de R$ 15,2 bilhões. Em 2024, aumentaram para aproximadamente R$ 20 bilhões. Segundo os Correios, 60% da receita atualmente é utilizada para pagar salários, plano de saúde e outros custos ligados ao quadro de funcionários.
Ao mesmo tempo, a empresa perdeu participação no mercado de entrega de encomendas. Há seis anos, os Correios tinham aproximadamente metade do segmento. Ao fim de 2025, fecharam o ano com cerca de 20%, de acordo com dados mencionados pela estatal.
O plano para 2026 visa, além da venda de imóveis, o fechamento de agências. A imprensa disse que já fechou 121 unidades, de um total de mil que estão previstas no plano de reestruturação.


