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Em Lisboa, empresa baiana realiza roda de conversa sobre migração e racismo em meio à crescente reacionária!

Na iniciativa, às vésperas do ‘Dia de Portugal’, a Deiyi Desconstruir promove espaço de escuta e construção coletiva entre brasileiros e comunidades lusófonas que discutirá pertencimento...

Por Michel Telles
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Em Lisboa, empresa baiana realiza roda de conversa sobre migração e racismo em meio à crescente reacionária!

Foto: Divulg...

A Deiyi Desconstruir, empresa especializada em consultoria de diversidade inclusiva, promoverá, na próxima segunda-feira (8), a roda de conversa “Sentindo na Pele – Vivências migratórias e letramento decolonial”, que acontece às 18h, na Casa do Brasil de Lisboa, em Portugal.

A iniciativa ocorre em um momento simbólico, às vésperas do Dia de Portugal, celebrado anualmente em 10 de junho. Oficialmente dedicada à ‘identidade nacional’ portuguesa, a data também tem sido marcada por manifestações antirracistas organizadas por comunidades migrantes e povos historicamente impactados pelo colonialismo, como brasileiros, africanos e outros grupos oriundos do Sul Global, que utilizam a ocasião para promover reflexões sobre memória, reparação histórica, direitos humanos e combate às discriminações.

Criado para ser uma glorificação ufanista e colonizadora, definida pela ditadura de Antônio Salazar como “Dia da Raça”, o 10 de junho serve ainda como recuperação do espírito imperial e xenófobo – apesar do regime ter caído há 52 anos. Segundo a especialista baiana, compreender os impactos históricos da colonização e suas consequências contemporâneas é fundamental para enfrentar os desafios vividos por milhares de imigrantes que hoje residem em Portugal.

A consultora de letramento racial e de gênero Tainara Ferreira, CEO da Deiyi, relembra o assassinato de Alcindo Monteiro, cidadão cabo-verdiano de 27 anos morto por um grupo de skinheads neonazistas em Lisboa, no Dia de Portugal de 1995. O caso tornou-se um marco na luta antirracista portuguesa e segue sendo lembrado por movimentos sociais como símbolo da violência racial e xenofóbica enfrentada por populações migrantes e racializadas.

Para ela, o episódio dialoga com a realidade atual, em que discursos de ódio e movimentos reacionários têm ganhado espaço em diversos países, afetando diretamente comunidades migrantes.

“As queixas por crimes de ódio praticamente quintuplicaram em Portugal, saindo de 63 registros em 2019 para 347 em 2024. E sabemos que esses dados representam apenas parte do problema, porque muitos casos sequer são denunciados. As redes sociais têm funcionado como amplificadoras desses discursos racistas e xenofóbicos, normalizando violências que depois transbordam para a vida cotidiana, o que deve ser encarado com urgência”, afirmou.

Espaço de escuta, construção coletiva e resistência

A roda de conversa tem como objetivo reunir brasileiros residentes em Portugal para compartilhar experiências migratórias, refletir sobre pertencimento, identidade, racismo, xenofobia e estratégias coletivas de enfrentamento às desigualdades.

De acordo com estimativas recentes, a comunidade brasileira já ultrapassa a marca de 400 mil residentes regularizados em território português, tornando-se a maior população estrangeira do país. Além dos brasileiros, o encontro também convida integrantes de outras comunidades lusófonas para fortalecer o diálogo e a construção conjunta de soluções.

Para Ana Paula Costa, presidente da Casa do Brasil de Lisboa, a roda de conversa propõe um alinhamento histórico do letramento racial, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária, foco na urgência das dinâmicas migratórias. 

“Será um momento importante  de partilha entre Brasil e Portugal no que diz respeito ao letramento racial e combate ao racismo. Os movimentos antirracistas português e brasileiro têm muita história, experiência, desafios e contextos que, embora as particularidades de cada país, podem dialogar e colaborar mutuamente”, completou Ana.

Já de acordo com a especialista, a proposta vai além de uma simples palestra, funcionando como um espaço político, pedagógico e comunitário.

“A roda de conversa é uma metodologia afrodiaspórica de construção coletiva do saber e da ação política. Não vamos apenas participar dos atos ou ocupar espaços de fala; viemos como sujeitos que formulam a luta. Queremos compartilhar experiências, reconhecer dores comuns, fortalecer redes de apoio e criar estratégias coletivas de enfrentamento ao racismo, à xenofobia e às desigualdades que atravessam a vida de quem migra”, destacou Tainara.

A dinâmica é resultado de uma parceria entre a Deiyi Desconstruir e a Casa do Brasil de Lisboa, contado com apoio do Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia (GAC).

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