Entidades médicas pedem que Anvisa suspenda versões manipuladas de canetas emagrecedoras
SBEM, ABESO, AMB e outras instituições alertam para risco sanitário e falta de controle na produção dos produtos

Foto: Reprodução/Freepik
Um conjunto de entidades médicas brasileiras enviou, na sexta-feira (28), uma carta aberta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitando que a agência adote uma suspensão cautelar para todas as versões manipuladas e injetáveis de canetas emagrecedoras. O pedido abrange produtos que contenham tirzepatida, semaglutida, já proibida, retatrutida e outros análogos de GLP-1, GIP ou peptídeos semelhantes.
A manifestação reúne a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a FEBRASGO e a Associação Médica Brasileira (AMB). As instituições afirmam que existe “risco sanitário iminente”, citando produções clandestinas, ausência de controle de qualidade e circulação desses produtos no mercado de forma massiva.
O documento foi divulgado um dia após a operação da Polícia Federal que expôs um esquema de fabricação e venda ilegal de uma dessas canetas, tendo como principal investigado o médico baiano Gabriel Almeida. As entidades ressaltam que o problema vai além de um caso específico, descrevendo um funcionamento articulado que envolveria insumos sem origem comprovada, ausência de rastreabilidade, cursos usados como vitrine de vendas e uso de influenciadores para impulsionar a comercialização.
“Observa-se: produção irregular em larga escala sob fachada de manipulação, aquisição clandestina de IFA e insumos sem origem conhecida, uso de influenciadores médicos para promoção comercial, ‘protocolos’ utilizados como estratégias de venda, cursos que induzem profissionais a utilizar formulações ilegais, grupos de WhatsApp e Telegram funcionado como canais de venda e distribuição, lives com venda casada, com oferta de produtos no próprio evento, ausência completa de rastreabilidade e tentativa sistemática de parecer oficial e segura, mesmo sem registro”, destaca a carta.
As entidades ainda afirmam que essas versões manipuladas carecem de comprovação de equivalência farmacêutica e não passam por controles de esterilidade, pureza, estabilidade ou potência. O grupo solicita que a Anvisa repasse essas informações à população e aos profissionais por meio de um alerta sanitário ou nota pública.


