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Escutar também é cuidar: psicóloga alerta para importância do acolhimento em momentos de sofrimento emocional!

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Por Michel Telles
Às

Escutar também é cuidar: psicóloga alerta para importância do acolhimento em momentos de sofrimento emocional!

Foto: Divulgação

O Setembro Amarelo amplia, todos os anos, o debate sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Para além das campanhas de conscientização, o período também chama atenção para uma atitude que pode fazer diferença no cotidiano de quem enfrenta sofrimento emocional: saber escutar. Para a psicóloga Niliane Brito, familiares e amigos exercem um papel importante na construção de uma rede de apoio baseada em presença, acolhimento e ausência de julgamentos.

Segundo a profissional, diante de alguém que apresenta sinais de depressão ou vive um momento de sofrimento emocional, nem sempre é necessário encontrar a frase perfeita ou apresentar uma solução imediata. Muitas vezes, oferecer espaço para que a pessoa fale e se sinta compreendida pode ser mais importante.

“Vivemos um contexto em que existe uma pressa muito grande para responder, aconselhar e apresentar soluções. Muitas vezes, porém, o que aquela pessoa precisa é simplesmente ser ouvida. Escutar de verdade significa acolher o que vem do outro sem julgamento, sem minimizar e sem tentar imediatamente modificar aquilo que ele está sentindo”, explica Niliane Brito.

A psicóloga alerta que algumas frases ditas com intenção de incentivar podem produzir o efeito contrário. Expressões como “você tem uma família que te ama”, “olhe quantas coisas boas existem ao seu redor”, “muita gente queria estar no seu lugar” ou “levante da cama e veja o sol” podem acabar transmitindo a ideia de que aquele sofrimento a pessoa não deveria sentir.

“Quando comparamos dores ou lembramos à pessoa tudo o que ela possui de bom como uma tentativa de fazê-la reagir, podemos acabar invalidando o sofrimento que ela está vivendo. Ter pessoas que amam, uma boa família ou condições favoráveis de vida não impede alguém de adoecer emocionalmente. A dor não precisa ser comparada para ser legítima”, ressalta.

Niliane destaca que acolher não significa concordar com tudo ou assumir sozinho a responsabilidade pelo cuidado. A rede de apoio também pode incentivar a busca por acompanhamento profissional e permanecer próxima durante o tratamento.

“Quem está ao lado não precisa ter todas as respostas. Pode perguntar como ajudar, demonstrar disponibilidade e reforçar que aquela pessoa não está sozinha. O acolhimento começa quando deixamos de tentar medir o sofrimento do outro a partir da nossa própria realidade”, afirma.

Para a psicóloga, o Setembro Amarelo também pode servir como oportunidade para repensar a forma como as pessoas se comunicam em suas relações. “Estamos muito acostumados a falar e pouco preparados para escutar. Desenvolver uma escuta mais empática é importante não apenas diante de um transtorno mental, mas para relações mais humanas e cuidadosas durante todo o ano”, conclui.

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