Espanha bate a Argentina na prorrogação e conquista o mundo pela segunda vez

Gol de Ferran Torres no início do segundo tempo da prorrogação garante o bicampeonato mundial e encerra uma campanha histórica da Fúria, invicta e vazada apenas uma vez em toda a Copa.

Por Samara Figueiredo
Às

Espanha bate a Argentina na prorrogação e conquista o mundo pela segunda vez

Foto: Reprodução / FIFA

A Espanha é, mais uma vez, campeã do mundo. Neste domingo (19), a seleção comandada por Luis de la Fuente derrotou a Argentina por 1 a 0, na prorrogação, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, e conquistou o segundo título mundial de sua história. O gol de Ferran Torres coroou uma campanha praticamente impecável da Fúria, que terminou o torneio invicta, sofreu apenas um gol em oito partidas, nas quartas de final, diante da Bélgica, e ampliou a sequência de invencibilidade construída nos últimos anos, confirmando o favoritismo que carregava desde antes do início da Copa do Mundo de 2026.

O bicampeonato foi consequência de um futebol dominante apresentado do primeiro ao último jogo. A Espanha terminou o Mundial com a melhor defesa da competição, controle absoluto da posse de bola na maior parte dos confrontos e atuações consistentes diante de adversários de peso. Na decisão, repetiu a receita que a levou ao topo: paciência para construir as jogadas, intensidade na pressão e maturidade para não se desesperar mesmo diante da grande atuação de Emiliano Martínez.

O placar mínimo não refletiu o que foi a final. Durante praticamente toda a partida, a Espanha ocupou o campo ofensivo, trocou passes com tranquilidade e empurrou a Argentina para o próprio campo. A equipe de Lionel Scaloni encontrou enormes dificuldades para encaixar contra-ataques e passou boa parte dos 120 minutos tentando sobreviver ao volume ofensivo espanhol.

Os primeiros minutos mostraram exatamente esse cenário. Lamine Yamal foi o primeiro a levar perigo ao aparecer duas vezes pela direita, enquanto Dani Olmo, Baena e Rodri comandavam a circulação de bola. A Argentina respondeu apenas em uma tentativa de infiltração de Messi, interceptada pela saída precisa de Unai Simón. Depois disso, a posse passou a ser quase exclusivamente espanhola.

Rodri controlava o ritmo da partida, Cucurella e Pedro Porro avançavam pelos lados e Oyarzabal flutuava entre os zagueiros argentinos. A Fúria rondava a área constantemente, mas encontrava pela frente uma defesa bem postada e um Dibu Martínez inspirado, que fez importantes intervenções para manter o empate.

Do outro lado, a atual campeã do mundo pouco conseguiu produzir. Messi teve liberdade reduzida pela marcação espanhola, Julián Álvarez foi neutralizado e Mac Allister e De Paul precisaram recuar para ajudar na recomposição. Ao fim do primeiro tempo, a Argentina sequer havia acertado uma finalização na direção do gol de Unai Simón.

A melhor oportunidade da etapa inicial veio perto do intervalo. Após boa troca de passes, Dani Olmo encontrou Oyarzabal dentro da área. O atacante bateu de primeira, mas Martínez fez excelente defesa e confirmou que seria o principal responsável por manter os argentinos vivos na decisão.

O intervalo também reservou um espetáculo fora das quatro linhas. Madonna abriu a apresentação acompanhada por Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, antes da entrada do maestro Gustavo Dudamel. BTS, Justin Bieber, Shakira e Burna Boy também participaram do show, encerrado com uma emocionante homenagem a Pelé. Imagens do Rei do Futebol foram exibidas no telão enquanto crianças e Coldplay participaram de uma apresentação que celebrou a união dos povos por meio do esporte.

Na volta para o segundo tempo, a Espanha aumentou ainda mais a pressão. Dani Olmo, Pedri, Nico Williams e Ferran Torres passaram a encontrar mais espaços, obrigando Dibu Martínez a aparecer novamente em defesas importantes. A Argentina continuava apostando em uma postura reativa, tentando acelerar apenas quando recuperava a posse, mas encontrava dificuldades para atravessar o meio-campo.

A situação argentina ficou ainda mais complicada na reta final do tempo regulamentar. Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo após uma entrada dura em Cubarsí e deixou a equipe com um jogador a menos para disputar a prorrogação. Ainda assim, a defesa sul-americana resistiu e levou a decisão para mais 30 minutos.

Nem o tempo extra mudou o panorama da final. A Espanha permaneceu instalada no campo ofensivo, enquanto a Argentina seguia se defendendo. Nico Williams chegou perto de abrir o placar em uma cabeçada defendida por Dibu Martínez, que continuava adiando o gol espanhol.

Mas a resistência acabou logo no início da segunda etapa da prorrogação. Com apenas 40 segundos, Pedro Porro avançou pela direita e cruzou na medida para Nico Williams. O atacante escorou de cabeça na segunda trave e Ferran Torres apareceu livre para finalizar de primeira, vencendo Martínez e colocando a Espanha em vantagem.

Obrigada a abandonar a estratégia defensiva, a Argentina finalmente passou a atacar. Messi assumiu o protagonismo, passou a participar das construções ofensivas, cobrou escanteios com perigo e liderou a pressão nos minutos finais. Simeone ainda teve a melhor oportunidade da equipe ao finalizar por cima do gol após sobra dentro da área já nos acréscimos da prorrogação, mas a reação parou na sólida defesa espanhola.

Quando o árbitro encerrou a partida, o sentimento era de justiça pelo que as duas seleções apresentaram ao longo da Copa. A Espanha não apenas venceu a final: confirmou uma campanha construída com autoridade, regularidade e um futebol coletivo que foi superior ao dos adversários desde a fase de grupos. Invicta, vazada apenas uma vez durante todo o Mundial e dominante também na decisão, a Fúria voltou ao topo do futebol mundial e conquistou o segundo título de sua história.

Para a Argentina, ficou a frustração de ver o sonho do bicampeonato escapar a poucos minutos da disputa por pênaltis. A equipe resistiu graças à organização defensiva e às grandes defesas de Emiliano Martínez, mas encontrou pela frente uma seleção que fez da consistência sua principal virtude. Em uma Copa marcada pelo futebol coletivo, pela segurança defensiva e pelo domínio técnico, a taça terminou nas mãos da equipe que, do primeiro ao último jogo, deu menos motivos para ser contestada.

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