Estatais têm déficit de R$ 5,87 bi em 2025, 2º maior rombo da série, mostra BC
Rombo do ano passado só foi menor do que o registrado em 2024, quando houve déficit recorde de R$ 8,1 bilhões

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
NATHALIA GARCIA E IDIANA TOMAZELLI
As empresas estatais registraram um déficit primário de R$ 5,87 bilhões em 2025, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira (30). Esse foi o segundo pior resultado (em valores nominais) desde o início da série histórica, em 2001.
O rombo do ano passado só foi menor do que o registrado em 2024, quando houve déficit recorde de R$ 8,1 bilhões.
A estatística do BC considera as contas de estatais federais, estaduais e municipais, exceto Petrobras e bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Em 2025, o déficit das estatais foi puxado pelo resultado negativo das empresas federais, de R$ 5,1 bilhões. Já as estatais controladas por estados e municípios tiveram um resultado deficitário de R$ 336 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente.
A argumentação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que um resultado deficitário não significa que a saúde financeira da empresa está comprometida e que o mais importante, ao olhar para a conta das estatais, é verificar se as empresas estão dando lucro ou prejuízo.
Pesou no quadro das estatais federais a situação de deterioração enfrentada pelos Correios, que acumularam um prejuízo de R$ 6,1 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, quase o triplo do observado no ano anterior (resultado negativo de R$ 2,1 bilhões).
O resultado das estatais foi menos negativo do que o déficit de R$ 6,2 bilhões autorizado na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Não se trata, porém, de uma melhora estrutural nas contas das empresas.
Segundo técnicos do Executivo, o desembolso dos Correios ficou abaixo do esperado em decorrência da demora na conclusão da operação de crédito de R$ 12 bilhões no fim do ano passado.
O contrato do empréstimo foi assinado em 26 de dezembro, e o dinheiro só entrou na conta no dia 30. Com isso, a companhia não teve tempo hábil para executar todos os pagamentos previstos para regularizar suas dívidas.
Em novembro, o governo havia atualizado a projeção do resultado das estatais para um déficit de R$ 9,2 bilhões. O valor inclusive indicava o risco de estouro da meta fiscal das estatais.
O alvo era um déficit de até R$ 6,2 bilhões, sem contar outros R$ 5 bilhões extras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que ficam fora dessa conta.
A projeção levou a equipe econômica a precisar congelar R$ 3 bilhões do Orçamento Fiscal, que abriga as políticas públicas do Executivo, para compensar o excedente e evitar o descumprimento das regras.
Neste ano, a meta das estatais é um déficit de R$ 6,75 bilhões, fora R$ 5 bilhões em investimentos do PAC, mas o governo conseguiu garantir desde já um espaço extra de R$ 10 bilhões para acomodar despesas ligadas ao plano de reestruturação dos Correios. Na prática, é como se as empresas federais pudessem ter um rombo de até R$ 21,75 bilhões.
Após a divulgação do BC, o Ministério da Gestão e Inovação, responsável por supervisionar as estatais federais, afirmou que o déficit registrado em 2025 "foi fortemente influenciado por investimentos e pagamentos de dividendos".
O governo federal tem 44 estatais, mas só 20 delas são contabilizadas na estatística divulgada pelo Banco Central. A autarquia não considera empresas do grupo Petrobras nem as seis empresas federais do setor financeiro. Além disso, outras 17 companhias são dependentes do Tesouro Nacional para pagar despesas de pessoal e custeio e, por isso, aparecem nas contas relativas ao Orçamento Fiscal.
"O resultado fiscal [das estatais] olha para as empresas com uma lógica de orçamento público e aponta se a empresa tem déficit ou superávit. Nessa metodologia, é como se a cada ano ela começasse janeiro do zero, sem recursos em caixa, sem poupança, sem valores guardados de receitas de anos anteriores", disse a pasta.
"Assim, quando a empresa faz um investimento, compra uma máquina ou recolhe dividendos usando recursos guardados de anos anteriores, ela pode acabar registrando um déficit nas suas contas", acrescentou.
A pasta afirmou que empresas lucrativas podem ter déficit em situações como um ciclo de investimentos, pagamento de dividendos ou elevação de despesas para bancar um PDV (programa de demissão voluntária), por exemplo. Segundo o Ministério da Gestão, das 16 empresas que apresentaram lucro no ano passado, oito delas também tiveram déficit fiscal, pela metodologia do BC.


