EUA informa o Brasil sobre intenção de ofensiva contra CV e PCC
Autoridades se reuniram com Galípolo e informaram que os EUA está para classificar facções como organizações terroristas

Foto: Reproduções/Redes Sociais
O governo dos Estados Unidos (EUA) encaminhou um recado para o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre a ofensiva que visa fazer contra as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PPC). As informações foram divulgadas pela coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles.
Autoridades americanas se reuniram com Galípolo e informaram que os EUA está para classificar o CV e PCC como organizações terroristas, mesmo diante da resistência do governo Lula. O Departamento de Estado considera que os grupos movimentam elevadas quantias de dinheiros através de lavagem de recursos e considera que o aumento do rigor, diante da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.
O aviso com antecedência é considerado uma "deferência" ao Brasil, já que existem países que não foram avisados anteriormente sobre a medida. Um exemplo é o México, que não recebeu comunicado antes da Casa Branca classificar seis cartéis perigosos como terroristas.
Uma eventual classificação do CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla original em inglês) representa uma modificação de paradigma na política externa dos EUA para América Latina. O status de terrorismo ligaria alerta mais rigoroso no braço financeiro do Departamento do Tesouro.
A classificação permitira o congelamento imediato de ativos nos EUA e proíbe qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material, o que elaboraria barreira para usar o sistema bancário global pelas organizações criminosas.
Entenda resistência do Governo Federal
A possível classificação põe o Governo Brasileiro em situação diplomática delicada. Com o Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública defendendo o enfrentamento ao crime organizado deverá ser abordado sob ótica da cooperação policial, a abordagem americana aumenta o debate sobre a segurança nacional.
A relutância do governo Lula é baseado na preocupação de que as classificações abram certos precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas que afetem a soberania nacional, economia doméstica e o setor de turismo.


