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Família denuncia possíveis falhas em atendimento a adolescente após parto em Feira de Santana

Jovem de 17 anos apresenta complicações desde cesariana realizada em outubro; Hospital da Mulher nega negligência

Por Da Redação
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Família denuncia possíveis falhas em atendimento a adolescente após parto em Feira de Santana

Foto: Fatima Brandão

A família de uma adolescente de 17 anos denuncia possíveis falhas no atendimento médico prestado à jovem após uma cesariana realizada em 3 de outubro, no Hospital da Mulher, em Feira de Santana. A paciente voltou a ser internada após apresentar complicações. A unidade nega negligência.

De acordo com relatos, Evelyn Yasmin Souza de Jesus apresentou uma hemorragia após o parto e precisou receber três bolsas de sangue. Ela recebeu alta no dia 6 de outubro, mas voltou a sentir dores e apresentar secreção na região da cirurgia.

De acordo com a mãe, Carolina Souza de Jesus, a adolescente passou por procedimentos de drenagem e teve os pontos da cirurgia abertos durante um atendimento, no dia 10. Dois dias depois, apresentou novos sangramentos e desmaios, sendo novamente internada.

Na sexta-feira (30), Evelyn foi encaminhada ao Hospital Estadual da Criança para realizar uma tomografia e retornou ao Hospital da Mulher. Segundo a família, o exame não identificou alterações e o pedido de transferência para outra unidade foi cancelado.

No sábado (31), familiares relataram novos episódios de vômitos e inchaço. O advogado da família, Lucas Micheli, afirmou que a adolescente apresenta dores intensas e desmaios frequentes. Ele também mencionou suspeita de perfurações intestinais, ainda sem confirmação médica.

A defesa da família pretende recorrer à Justiça para solicitar a transferência da jovem a um hospital de referência. O bebê passa bem e permanece sob os cuidados do pai.

Em nota, o Hospital Inácia Pinto dos Santos, conhecido como Hospital da Mulher, afirmou que a adolescente recebe acompanhamento especializado, com avaliações clínicas e exames. A instituição ressaltou que complicações pós-operatórias não caracterizam, por si só, negligência médica.

Leia a nota na íntegra:

"O Hospital Inácia Pinto dos Santos (HIPS), diante das manifestações e publicações que vêm circulando nas redes sociais a respeito da assistência prestada a uma paciente adolescente nesta unidade hospitalar, vem a público prestar esclarecimentos e reafirmar seu compromisso com a transparência, a responsabilidade assistencial e a segurança dos pacientes.

Inicialmente, o hospital manifesta sua solidariedade à paciente e à sua família, reconhecendo que situações de adoecimento e complicações no período pós-operatório geram angústia, insegurança e preocupação. A instituição respeita o direito dos familiares de buscar esclarecimentos, manifestar suas preocupações e solicitar informações sobre a assistência recebida.

Entretanto, é necessário esclarecer que a assistência prestada à paciente não se resume a uma interpretação isolada de acontecimentos ou a relatos publicados nas redes sociais. Trata-se de um acompanhamento médico que envolve avaliações clínicas sucessivas, exames, acompanhamento especializado e reavaliações das condutas terapêuticas, conforme a evolução do quadro.

Durante todo o período de internação, a paciente vem recebendo acompanhamento da equipe assistencial, com participação e avaliação do cirurgião responsável, que acompanha a evolução clínica e contribui para a definição das condutas necessárias. Também estão sendo adotadas as providências para garantir a continuidade da assistência especializada, conforme as necessidades identificadas pela equipe médica.

Essas medidas demonstram que o caso vem sendo conduzido com acompanhamento assistencial e decisões fundamentadas na avaliação médica e na evolução clínica da paciente.

É importante compreender que, na medicina, determinadas complicações pós-operatórias podem exigir mudanças de conduta ao longo do tratamento. A necessidade de reavaliar, ampliar investigações, modificar medicamentos ou indicar procedimentos não significa, por si só, negligência. Significa que a assistência precisa acompanhar a realidade clínica apresentada pelo paciente.

O HIPS não aceita que a complexidade de um caso clínico seja transformada em acusações públicas sem a devida análise técnica dos fatos. Questionamentos sobre a assistência devem ser acolhidos e apurados pelos canais institucionais e pelos órgãos competentes, com base em prontuários, registros assistenciais e avaliações técnicas, e não em julgamentos precipitados nas redes sociais.

A instituição também manifesta preocupação com a exposição da imagem, da identidade e da condição de saúde de uma paciente menor de idade nas redes sociais. A proteção da intimidade, da imagem e da dignidade de crianças e adolescentes é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente em seus artigos 17 e 18, e pela Constituição Federal.

Da mesma forma, o hospital está legal e eticamente impedido de divulgar informações individualizadas do prontuário, exames, diagnósticos e procedimentos da paciente como instrumento de defesa pública, uma vez que os dados de saúde são protegidos por sigilo e confidencialidade.

O hospital ressalta que eventuais informações inverídicas, acusações ofensivas ou conteúdos que violem direitos individuais poderão ser encaminhados à análise jurídica, para adoção das medidas cabíveis, sempre respeitando o direito à manifestação e à liberdade de expressão.

O HIPS reafirma que sua prioridade absoluta é a assistência à paciente, a preservação de sua saúde e a adoção de todas as providências necessárias à continuidade do cuidado.

Não nos afastaremos da nossa responsabilidade institucional diante de um caso complexo. Seguiremos trabalhando com seriedade, compromisso, ética e respeito à vida."

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