Farol da Bahia testa o novo Toyota RAV4 HEV: foco em desempenho com preço alto
SUV médio supera os 20km/l mas cobra caro por isso
O Toyota RAV4 ocupa posições bastante diferentes nos Estados Unidos e no Brasil. No mercado norte-americano, o SUV é um fenômeno comercial e se tornou um dos principais produtos da fabricante japonesa. Por aqui, porém, permanece como uma opção de nicho, importada, cara e distante do volume alcançado por Corolla Cross e Corolla sedã. O Farol da Bahia testou o novo modelo que chegou recentemente ao Brasil.
Apresentado inicialmente como conceito no Salão de Tóquio de 1989, o RAV4 chegou ao mercado japonês em 1994 e estreou nos Estados Unidos em 1996. Foi um dos modelos responsáveis por estabelecer a fórmula dos atuais SUVs urbanos ao combinar carroceria monobloco, suspensão independente, posição elevada de dirigir e comportamento mais próximo ao de um automóvel.
A receita funcionou especialmente bem entre os norte-americanos. Desde sua chegada aos Estados Unidos, mais de 6,4 milhões de unidades do RAV4 foram colocadas nas ruas. Em 2024, ele completou oito anos consecutivos como o SUV mais vendido do país, enquanto as versões híbridas e híbridas plug-in já representavam mais da metade de suas vendas.
No Brasil, a história é bem diferente. Embora seja oferecido há várias gerações, o RAV4 nunca teve produção nacional nem o protagonismo de outros Toyota. Seu posicionamento sempre foi mais restrito, direcionado a consumidores que procuram um SUV importado, espaçoso e com reputação de robustez. A nova geração reforça essa condição ao custar R$ 349.290 na configuração SX híbrida.
Visual moderno destaca a nova geração
O desenho representa uma ruptura diante das linhas arredondadas do antecessor. A dianteira adota a identidade Hammerhead, também aplicada nos lançamentos mais recentes da Toyota, com grade praticamente fechada, faróis estreitos e formas angulosas.
O perfil elevado e os para-lamas marcados transmitem robustez, enquanto a traseira mantém o estilo geométrico observado em toda a carroceria. É um RAV4 mais moderno e expressivo, sem abandonar a aparência sólida que ajudou a consolidar sua imagem nos Estados Unidos.
A proposta também é mais racional do que esportiva. O SUV combina sistema híbrido pleno, que dispensa recarga externa, com tração integral sob demanda. Para quem deseja rodar por períodos maiores utilizando eletricidade, a Toyota também passou a oferecer uma versão híbrida plug-in.
Interior espaçoso e funcional
Na cabine, o RAV4 segue uma lógica funcional. O painel tem desenho horizontal, comandos físicos de fácil acesso e novo seletor eletrônico de marchas do tipo joystick. Formas quadradas aparecem nas saídas de ventilação, nos porta-objetos e nos nichos distribuídos pelo interior.
A posição do banco traseiro e a ampla área envidraçada favorecem a visibilidade. Há bastante espaço para pernas e cabeça na segunda fileira, enquanto a cabine acomoda confortavelmente cinco ocupantes.
A versão SX traz central multimídia de 12,9 polegadas, quadro de instrumentos digital de 12,3 polegadas e head-up display colorido com três modos de visualização. Também oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio, conexão simultânea de dois aparelhos via Bluetooth e carregadores de celular por indução separados para motorista e passageiro.
Dimensões do Toyota RAV4 híbrido
O RAV4 mede 4,60 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,69 metro de altura e 2,69 metros de distância entre-eixos. O porta-malas comporta 456 litros na versão SX e 514 litros na configuração S.
As medidas colocam o Toyota entre os SUVs médios de maior porte, embora alguns concorrentes chineses já sejam maiores. O GWM Haval H6 HEV, por exemplo, é aproximadamente 10 centímetros mais comprido e quatro centímetros mais largo.
Na prática, o espaço interno é um dos principais atributos do RAV4. O banco traseiro oferece boa acomodação e a altura da cabine facilita tanto o acesso quanto o transporte de passageiros.
Sistema híbrido prioriza o consumo
O conjunto mecânico reúne motor 2.5 de quatro cilindros a gasolina, três motores elétricos e transmissão híbrida continuamente variável. A potência combinada é de 239 cv, enquanto o torque total não é informado pela Toyota. A tração integral funciona sob demanda, com assistência elétrica no eixo traseiro.
A aceleração é linear e suficiente para o porte do veículo. Os 239 cv aparecem de maneira progressiva, deixando claro que a prioridade está na eficiência, e não em proporcionar uma condução esportiva. A transmissão híbrida distribui a força com suavidade e seleciona automaticamente a participação dos motores elétricos e a combustão.
Em piso molhado, a tração integral ajuda a manter o carro estável e transmite segurança. Direção, suspensão e respostas dos comandos seguem a proposta tradicional da Toyota: funcionamento previsível e sem surpresas.
Segundo os dados oficiais, o RAV4 registra 15,3 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada, sempre com gasolina. Com esses números, recebe nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.
Durante o teste, realizado em aproximadamente 400 quilômetros divididos entre cidade e estrada, o computador de bordo chegou a indicar 21 km/l. O resultado mostra que, com condução moderada, o sistema híbrido consegue superar com folga os números oficiais, especialmente no trânsito urbano.
Segurança é um dos destaques
O pacote Toyota Safety Sense 4.0 reúne frenagem automática com detecção de pedestres, ciclistas e motociclistas, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência e centralização em faixa, reconhecimento de placas e farol alto adaptativo.
A versão SX ainda oferece câmera com visão de 360 graus, sensores de estacionamento com frenagem automática e alerta de tráfego cruzado. Durante o teste, os sistemas funcionaram corretamente tanto na cidade quanto na estrada, com intervenções progressivas e boa leitura das faixas.
Não são tecnologias exclusivas do RAV4, pois vários concorrentes oferecem equipamentos semelhantes. A calibração, entretanto, é competente e não torna a condução excessivamente invasiva.
Vale a pena comprar o Toyota RAV4?
Nos Estados Unidos, o RAV4 é um automóvel familiar de grande volume, consolidado ao longo de três décadas e presente na rotina de milhões de consumidores. No Brasil, o preço de R$ 349.290 transforma o mesmo produto em uma escolha bastante mais restrita.
Seu principal argumento não está apenas na lista de equipamentos. O modelo reúne baixo consumo, cabine espaçosa, tração integral e a imagem de robustez construída pela Toyota. A garantia pode chegar a dez anos dentro das condições estabelecidas pelo programa Toyota 10.
Há pontos que poderiam ser melhores. O isolamento acústico não está à altura do preço e o conjunto de 239 cv entrega menos emoção do que a potência sugere quando o acelerador é pressionado com firmeza. Além disso, concorrentes híbridos chineses oferecem mais potência, telas maiores e preços consideravelmente menores.
O RAV4 dificilmente terá no Brasil o protagonismo conquistado nos Estados Unidos. Ainda assim, atende a um público que prefere um produto tradicional, eficiente e com histórico consolidado. É uma compra menos guiada por novidades ou pela quantidade de equipamentos e mais pela confiança na marca. Um SUV de massa para os norte-americanos, mas definitivamente de nicho para os brasileiros.


