Festa do Olojá na Feira de São Joaquim entra no calendário oficial de Festas Populares de Salvador
5ª edição da festa reverencia o orixá Exu e tem seu ponto alto neste sábado (7)

Foto: Laís Rocha (Ascom/Setur-BA)
O Bando Anunciador percorreu a Feira de São Joaquim em um cortejo com banda de sopro e percussão, no último sábado (28), para comunicar que começou o Olojá em Salvador. Em sua 5ª edição, a festa reverencia o orixá Exu e tem seu ponto alto neste sábado (7) com o Xirê para todos os orixás e shows.
Com o tema “Do mercado ao mundo: Exu no calendário da cidade”, a edição deste ano traz a novidade de que o Olojá agora faz parte do calendário oficial das festas populares de Salvador, por meio da lei nº 9.892/2025.
Para a diretora geral do evento, Anane Dantayo, o reconhecimento institucional reforça algo que sempre pertenceu ao festejo, “consolida uma legitimidade que sempre foi do território. Estar no calendário é importante politicamente, mas o Olojá não nasce do decreto público, nasce da comunidade, o que muda é a responsabilidade do poder público. Nossa essência continua a mesma”, comentou.
A celebração iniciou da articulação entre terreiros de candomblé, junto com os feirantes e outros parceiros, sendo realizada pelo Terreiro Ilê Asé Ojisé Olodumaré – Casa do Mensageiro. Atualmente estão participando quase 100 terreiros que colaboram com a distribuição gratuita de alimentos no sábado.
A concentração inicia às 8h, com o Cortejo Olojá, seguida pelo Xirê e a tarde inicia a programação do palco Nagô, com shows dos blocos afro Muzenza, Ilê Aiyê e Cortejo Afro. Também vão participar a cantora Aisha Araújo com o convidado Bruno Odessi, Omo Obá e Samba Trator.
Neste ano, a programação também contou com atividades nos dias 4 e 6 de março, quando ocorreu a Feira de Saúde e o Mercado da Memória Ancestral, respectivamente.
Todos caminhos levam a Exú
Para as religiões de matriz africana, Exú é considerado o orixá guardião dos caminhos. Porém é interpretado erroneamente como uma figura maldosa por pessoas preconceituosas ou leigas sobre os credos dessas religiões. “Exu foi demonizado pela colonização para que nossa inteligência espiritual fosse criminalizada. O Olojá surge também como resposta a isso. É um movimento de não demonização de Exu, de reposicionamento simbólico e político desse orixá que é comunicação, movimento e abertura de caminhos”, explicou Anane.
Para ela, fazer uma festa em celebração a Exú exige perpassar desafios logísticos e superar o preconceito que ainda existe quanto às religiões afro-brasileiras. “Em um país que ainda demoniza o que é de matriz africana, afirmar Exu é afirmar nossa humanidade, nossa inteligência e nosso direito de existir sem pedir licença. O desafio para realizar o Olojá é estrutural e racial, fazer um evento de matriz africana, afirmando Exu publicamente, ainda é um ato político. Integrar feira, formação, palco e cortejo exige recurso e organização. O maior cuidado é manter coerência espiritual e política sem diluir a mensagem”.
A escolha da Feira de São Joaquim como local do evento também se relaciona com a divindade e com a intenção da celebração. “A Feira de São Joaquim traduz a energia de Exu na prática: comunica, alimenta, negocia, troca, dança, canta e gargalha. Aquilo é circulação de vida. Aquilo é a mais pura manifestação de Exu em movimento”, concluiu Dantayo.


