Fim de Marina Sena e Juliano Floss: o que a infância pode revelar sobre a forma como amamos e enfrentamos um término?
Após dois anos de relacionamento, casal anuncia separação;

Foto: Redes sociais
O fim do relacionamento entre Marina Sena e Juliano Floss, anunciado nesta segunda-feira (17), surpreendeu os fãs que acompanharam os cerca de dois anos de história do casal. O término foi comunicado por Juliano nas redes sociais, em uma mensagem breve, na qual falou em respeito à trajetória que os dois construíram juntos. Marina ainda não se manifestou publicamente sobre a separação.
A repercussão do fim do namoro, no entanto, também abre espaço para uma discussão que vai muito além da vida dos dois artistas: por que alguns relacionamentos deixam marcas tão profundas e o que faz uma pessoa escolher determinados parceiros, permanecer em determinadas relações ou sofrer intensamente quando um ciclo chega ao fim?
Para Telma Abrahão, neurocientista e analista emocional especialista em traumas, uma parte importante dessa resposta pode estar na infância.
“A forma como nos relacionamos na vida adulta não começa no primeiro namoro. Ela começa muito antes, nas primeiras relações que tivemos, principalmente com nossos pais e cuidadores. É ali que vamos aprendendo o que é amor, segurança, rejeição, abandono e pertencimento. Essas experiências podem influenciar os vínculos que buscamos e a maneira como reagimos quando sentimos que podemos perder alguém”, explica.
A especialista destaca que isso não significa que a história de infância determine quem uma pessoa vai amar ou que seja possível atribuir o término de um casal a experiências passadas. O ponto, segundo ela, é compreender que o cérebro aprende padrões relacionais muito cedo — e aquilo que foi familiar na infância pode influenciar o que parece familiar nos relacionamentos adultos.
“Às vezes, a pessoa não está escolhendo conscientemente aquele padrão. Ela simplesmente reconhece naquela dinâmica algo que o cérebro já conhece. E existe uma diferença importante entre aquilo que é familiar e aquilo que é saudável. Por isso, olhar para a infância pode ajudar o adulto a perceber por que algumas relações despertam tanto medo, insegurança ou necessidade de aprovação”, afirma Telma.
O que Marina Sena e Juliano Floss podem ensinar sobre os ciclos amorosos?
O relacionamento de Marina e Juliano foi acompanhado de perto pelo público. Os dois assumiram o namoro em 2024, depois de uma viagem pela Europa, e passaram a compartilhar momentos da relação nas redes sociais. Durante a participação de Juliano no BBB 26, Marina também esteve presente publicamente na torcida pelo namorado.
Agora, com o fim da relação, a história passa a ser observada por outra perspectiva: a de um ciclo que chegou ao fim depois de aproximadamente dois anos.
Para Telma, encerrar uma relação pode ativar sentimentos muito mais antigos do que a própria história com aquele parceiro.
“Um término não dói somente pela ausência daquela pessoa. Ele pode tocar em lugares muito profundos. Para alguém que viveu experiências de rejeição ou abandono na infância, por exemplo, o fim de um relacionamento pode ser interpretado emocionalmente como uma confirmação de que será abandonado novamente. É aí que uma dor do presente pode se misturar com dores que começaram muito antes daquele relacionamento existir”, explica.
Segundo ela, esse mecanismo ajuda a entender por que duas pessoas podem viver términos completamente diferentes. Enquanto uma consegue enxergar o fim como o encerramento de uma história, outra pode experimentar a separação como uma ameaça à própria identidade.
“Quando a pessoa aprendeu, ainda criança, que precisava agradar para receber amor, ela pode chegar à vida adulta acreditando que precisa ser perfeita para alguém permanecer. Então, diante de um término, em vez de pensar ‘essa relação terminou’, ela pensa ‘eu não fui suficiente’. E são coisas completamente diferentes”, pontua.
A exposição pode tornar o término ainda mais difícil
No caso de Marina e Juliano, existe ainda um elemento que não faz parte da maioria dos relacionamentos: milhões de pessoas acompanham a história.
O público viu o casal se aproximar, acompanhou declarações, momentos compartilhados e a torcida de Marina durante a passagem de Juliano pelo BBB. Agora, a separação também acontece diante das redes sociais, onde opiniões, especulações e julgamentos podem surgir antes mesmo de os envolvidos elaborarem emocionalmente o fim.
“Imagine viver o fim de uma relação enquanto milhares ou milhões de pessoas estão dizendo como você deveria se sentir, quem deveria estar certo ou errado e o que você deveria fazer. Isso pode aumentar muito a pressão emocional. A pessoa precisa elaborar uma perda enquanto também administra a imagem que o público está construindo daquela história”, avalia Telma.
Para a especialista, essa exposição pode ser especialmente delicada quando a autoestima já depende muito da validação externa.
“Se eu aprendi desde cedo que meu valor depende do olhar do outro, um término público pode ser devastador. Não basta perder o relacionamento; surge também o medo de ser julgado, de parecer rejeitado ou de ser visto como alguém que fracassou. É preciso lembrar que o fim de um relacionamento não é o fim do valor de uma pessoa”, afirma.
Quando o fim de um namoro desperta feridas antigas
Telma explica que o momento posterior ao término pode ser uma oportunidade para identificar padrões emocionais.
“Em vez de perguntar apenas ‘por que essa pessoa foi embora?’, talvez seja importante perguntar ‘por que essa situação está despertando algo tão intenso em mim?’. Às vezes, o sofrimento atual está somando uma história muito maior. É uma oportunidade de olhar para aquilo que a infância deixou registrado e que ainda está influenciando nossos comportamentos”, diz.
Em seu trabalho sobre infância e vida adulta, a especialista aponta justamente que experiências infantis podem estar relacionadas ao medo de abandono, à desconfiança, à necessidade de aprovação e à repetição de padrões nos relacionamentos.
Ela ressalta, porém, que compreender a infância não significa responsabilizar os pais por todos os problemas dos adultos ou transformar todo término em consequência de um trauma.
“Não se trata de culpar a infância. A infância explica, mas não precisa determinar o nosso futuro. Como adultos, podemos desenvolver consciência sobre nossos padrões e aprender novas formas de nos relacionar. O objetivo não é descobrir quem é o culpado, mas entender o que ainda está funcionando no automático”, afirma.

