Flávio discursará em evento conservador que deve ter presença de Trump nos EUA

Além de Estados Unidos, Flávio esteve no Oriente Médio, na França e, nesta semana, foi ao Chile

Por FolhaPress
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Flávio discursará em evento conservador que deve ter presença de Trump nos EUA

Foto: Fotos: Geraldo Magela/Agência Senado e ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

CAROLINA LINHARES - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foi anunciado como um dos palestrantes da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que reúne os principais nomes da direita e ultradireita global, nos Estados Unidos.

O evento deve ter a presença do presidente dos EUA, Donald Trump, de quem Flávio busca apoio na eleição contra Lula (PT) em outubro. A conferência acontecerá no Texas, entre 25 e 28 de março.

O senador ainda avalia se vai participar presencialmente ou por videoconferência. Neste mês, ele tem uma série de viagens pelo país relacionadas à pré-campanha, incluindo Rondônia, Rio Grande do Norte, Paraíba e São Paulo.

No ano passado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participou da CPAC, onde atacou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e pediu orações ao pai, Jair Bolsonaro (PL). No mesmo evento, Steve Bannon, ex-assessor de Trump, fez uma saudação nazista.

Nesta edição, além de Trump e Bannon, também são esperados a ex-primeira-ministra do Reino Unido Liz Truss, o senador Ted Cruz e outros nomes da direita americana.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, Eduardo tem guiado Flávio em viagens internacionais para construir uma articulação estrangeira de extrema direita. O ex-deputado se mudou para os Estados Unidos há um ano alegando sofrer perseguição no Brasil e perdeu seu mandato por faltas.

Além de Estados Unidos, Flávio esteve no Oriente Médio, na França e, nesta semana, foi ao Chile para a posse do direitista José Antonio Kast.

Nos próximos dias, o senador deve se encontrar com Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado, que visitará o Brasil para compromissos ligados ao processo eleitoral brasileiro.

Beattie pediu a Alexandre de Moraes uma visita a Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Papudinha, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. O ministro chegou a autorizar a visita, mas depois voltou atrás.

O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, disse ao ministro que a visita do conselheiro de Trump para relações com o Brasil nos Estados Unidos pode configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".

A atuação de Flávio e Eduardo no exterior, promovendo reuniões com líderes da direita radical em diversos países desde fevereiro, colocou o governo Lula em alerta em relação ao que veem como uma tentativa da gestão Trump de influenciar as eleições de outubro.

As recentes movimentações de uma ala do governo americano em relação ao Brasil, inclusive, já são encaradas como interferências no cenário político do país.

Na visão do governo Lula, a discussão da gestão Trump sobre classificar o PCC e o CV como organizações terroristas atende à agenda que Eduardo e Flávio têm buscado construir junto às autoridades estrangeiras, especialmente as americanas.

Bolsonaristas que atuam na articulação junto às autoridades dos EUA veem o crescimento de Flávio em pesquisas como uma vantagem para convencer Trump da necessidade de fazer gestos em apoio ao filho de Bolsonaro.

A leitura entre observadores da gestão americana é que Trump não gosta de perdedores e isso teria, por exemplo, o aproximado de Lula. Uma vez que Flávio tem diminuído a distância do presidente brasileiro em pesquisas, o jogo pode ser alterado para que Trump declare apoio ao senador bolsonarista, por exemplo. Ou, em última instância, não reconheça o resultado eleitoral num cenário de reeleição de Lula.

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