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Vídeo: forrozeiros se reúnem na UPB para exigir mínimo de 50% das contratações de artistas locais nos festejos juninos

Artistas e representantes da cultura popular baiana apresentaram uma proposta de TAC para o presidente Wilson Cardoso

Por Emilly Lima
Às

Atualizado
Vídeo: forrozeiros se reúnem na UPB para exigir mínimo de 50% das contratações de artistas locais nos festejos juninos

Foto: Emilly Lima/Farol da Bahia

Forrozeiros e representantes da cultura popular baiana se reuniram, nesta quinta-feira (5), com o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, em Salvador, para apresentar uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que exige a garantia mínima de 50% das contratações de artistas locais nos festejos juninos. 

O movimento dos músicos e artistas baianos ocorre diante da insatisfação com a predominância de atrações externas nas festas e defende que o São João, uma das maiores manifestações culturais do estado, fortaleça prioritariamente a economia criativa local. 

Ao Farol da Bahia, Alessandra Gramacho, uma das artistas à frente da iniciativa, explicou que o percentual mínimo garante a fomentação do trabalho dos músicos não penas no São João, mas no ano inteiro. "Nos reunimos para conseguir aqui na UPB uma conversa com o presidente e expor a nossa necessidade de contratação. A gente traz aqui um TAC, onde a gente solicita à UPB, repassando aos prefeitos aqui, a necessidade de destinar um recurso de 50% mínimo de contratações de artistas da terra, artistas da cidade, artistas baianos para os festejos juninos", explicou a artista baiana. 

Alessandra ressaltou que os forrozeiros já contam com espaços restritos quando o assunto é festa e sem o investimento correto o setor pode registrar um declínio no estado. "A nossa solicitação é de 50%. A gente acredita que esse dinheiro da contratação dos artistas da cidade é fomento, tanto na cidade, como na nossa obra, no nosso trabalho. Dessa forma, a gente consegue fomentar o nosso trabalho o ano inteiro porque nossos espaços já estão muito restritos. O forrozeiro, praticamente, tocam no São João, então sem o devido investimento a nossa obra ela sofre um risco muito grande de decair porque a gente precisa fomentar, difundir e produzir", acrescentou. 

O cantor de forró Mateus Moraes também reforçou que a iniciativa busca um reconhecimento do Poder Público. "A gente busca o reconhecimento, que a população já tem, mas agora é por parte do Poder Público, para levar nosso forró, principalmente, mas os gêneros também que estão envolvidos nas festas de juninas, nas cidades de origem da gente e também nos outros municípios, 50% acho que está bom, está razoável e é possível de fazer", disse à reportagem. 

O vocalista do Bambas do Nordeste, Carlos Mattheus, ainda ressaltou que o São João move diversos setores econômicos no Estado e o único objetivo do movimento é garantir, pelo menos a contratação de 50% desses artistas. 

"A gente sabe que o São João move toda uma cadeia produtiva, desde um técnico de som, desde músicos, desde a rede hoteleira, da agricultura familiar, então a gente vem nesse único objetivo, a garantia de, no mínimo, 50% de forrozeiros no São João, nos festejos juninos, sendo que baianos, então é essa pauta que a gente vem exclusivamente e única aqui pra essa reunião na UPB", afirmou. 

"É obrigação do Poder Público manter as culturas identitárias, as culturas tradicionais, é um pedido mais do que justo, além do mais porque a nossa cultura é rica, a nossa cultura do forró é maravilhosa, a nossa cultura do forró traz lembranças de interior, de família reunida. Nós somos muitos e estamos produzindo, fazemos músicas maravilhosas e a gente gostaria do nosso espaço junino", reforçou Alessandra Gramacho. 

Em entrevista à imprensa, o presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, destacou a importância cultural e simbólica do São João para a identidade nordestina e baiana. “O São João envolve a cultura regional, local, pé de serra, sanfoneiro, a gente lembra da nossa infância. É a festa mais democrática que tem no Brasil, talvez no mundo, é o São João. E o melhor São João é o da Bahia, não tem a menor dúvida. É o nosso maior São João”, disse. 

Ao comentar a mobilização dos artistas, Wilson afirmou que há um consenso entre os prefeitos sobre a necessidade de valorizar os forrozeiros locais e garantir responsabilidade no uso dos recursos públicos. “Eu estou muito feliz, porque dos 417 prefeitos que são associados à UPB, todos estão de mãos dadas nessa campanha para que nós possamos valorizar cada vez mais a nossa cultura, mas também garantir que outros artistas, que são referências, possam se apresentar com cachê justo, com valor justo", celebrou.

“O que está me deixando mais feliz é saber que a nossa união é raiz, que a nossa união vai ter cada vez mais a valorização da cultura local. Estamos fazendo um diálogo com todo o Nordeste, e todos os estados vão acompanhar o nosso movimento, inclusive com a possibilidade de intercâmbios entre artistas”, acrescentou.

Confira o TAC na íntegra 

 

PROPOSTA DE TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (TAC)
Valorização dos Artistas Baianos nas Programações Juninas

1. Apresentação
Os coletivos e representantes dos artistas forrozeiros da Bahia vêm, por meio desta proposta, apresentar às instituições signatárias a sugestão de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o objetivo de fortalecer, proteger e valorizar a cultura local, especialmente o forró, nas programações juninas realizadas pelos municípios baianos.

*São João constitui uma das maiores manifestações culturais do estado da Bahia, sendo também um importante vetor de geração de emprego, renda e identidade cultural. Nesse contexto, torna-se fundamental assegurar a presença significativa de artistas baianos nas grades de programação financiadas, total ou parcialmente, com recursos públicos.

2. Justificativa
* Os festejos juninos são patrimônio cultural imaterial e expressão direta da cultura nordestina e baiana;
* Recursos públicos devem priorizar o fortalecimento da economia criativa local e regional;
* Observa-se, em diversos municípios, a predominância de atrações externas em detrimento de artistas locais e estaduais;
* A valorização dos artistas baianos contribui para a democratização do acesso aos recursos públicos, a sustentabilidade da cadeia produtiva da cultura e a preservação das tradições populares.

3. Objetivo Geral
Estabelecer parâmetros claros e pactuados entre os entes públicos para garantir a contratação mínima de 50% de artistas baianos nas programações juninas dos municípios, respeitando os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

4. Proposta de Pactuação (TAC)
Propõe-se que o Termo de Ajustamento de Conduta contemple os seguintes pontos:

* Compromisso dos municípios baianos em destinar no mínimo 50% das contratações artísticas das programações juninas a artistas baianos;
* Aplicação do percentual tanto em número de atrações quanto, preferencialmente, em volume de recursos investidos;
* Transparência nas contratações, com ampla divulgação prévia das grades e dos valores pagos;
* Desburocratização do processo de atrações cujo cachê seja de até R$ 20 mil;
* Observância das legislações vigentes sobre contratação pública, especialmente no que se refere à inexigibilidade e à justificativa de escolha artística;
* Monitoramento e acompanhamento por parte do Ministério Público Estadual e do
Tribunal de Contas dos Municípios;
* Atuação da UPB como articuladora e orientadora dos municípios quanto à implementação do TAC;
* Apoio institucional do Governo do Estado da Bahia, por meio de suas secretarias e órgãos de cultura.

5. Resultados Esperados
* Fortalecimento do forró e da cultura popular baiana;
* Geração de emprego e renda para artistas, músicos e trabalhadores da cultura no estado;
* Uso mais equilibrado e responsável dos recursos públicos;
* Promoção da identidade cultural e valorização dos talentos locais;
*Redução de conflitos e questionamentos jurídicos relacionados às contratações artísticas.

6. Considerações Finais
A presente proposta busca o diálogo institucional e a construção coletiva de soluções que conciliem legalidade, valorização cultural e desenvolvimento econômico. A celebração do TAC representa um avanço na política cultural dos municípios baianos e reafirma o compromisso do poder público com a cultura local.

Confira o vídeo abaixo:

 

 

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