Gasolina e diesel devem subir em 2027: entenda o motivo

Preço deve subir e ainda aumentar dependência do câmbio

Por Marcos Camargo Jr.
Às

Gasolina e diesel devem subir em 2027: entenda o motivo

Quem usa o carro diariamente deve preparar o orçamento para uma pressão adicional sobre os combustíveis em 2027. 

A partir de 1º de fevereiro, o ICMS terá aumento de sete centavos por litro de gasolina e de 13 centavos por litro de diesel. Se a diferença for integralmente repassada ao consumidor, um abastecimento de 50 litros de gasolina ficará R$ 3,50 mais caro apenas pelo efeito do imposto.

Os novos valores foram aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Na gasolina, a cobrança passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro. No diesel, subirá de R$ 1,17 para R$ 1,30. A atualização considera a comparação dos preços médios dos combustíveis em períodos definidos, com base nos levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP). 

Para o motorista, o impacto depende da quantidade abastecida. Quem consome 100 litros de gasolina por mês, por exemplo, terá uma despesa adicional de R$ 7 mensais se houver repasse integral dessa diferença. Já um abastecimento de 80 litros de diesel terá acréscimo de R$ 10,40.

Essas contas mostram somente o efeito do ICMS. O preço exibido na bomba também depende dos valores cobrados por refinarias e importadores, dos custos de distribuição e das margens dos postos. Por isso, o aumento do imposto não permite antecipar exatamente quanto custará o litro em fevereiro.

Também é preciso diferenciar o reajuste da tributação da variação do combustível. A alta de aproximadamente 11,1% no ICMS do diesel, por exemplo, não significa que o preço final subirá nessa mesma proporção. Nesse regime, o imposto é um valor fixo por litro e representa apenas uma parte da conta.

Outro ponto de atenção são as medidas federais adotadas para conter os preços. Em outubro, o Ministério da Fazenda prorrogou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel destinada a produtores e importadores. A continuidade desse apoio nos meses seguintes dependerá de novas decisões do governo. 

Na gasolina, o governo também anunciou em outubro a prorrogação, por um mês, da desoneração de PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a importação e a comercialização interna. Uma eventual retomada da cobrança poderá pressionar os preços, mas não deve ser tratada como um reajuste já definido para janeiro de 2027. 

Caso esses benefícios sejam encerrados sem uma redução equivalente nos custos, haverá mais pressão sobre o abastecimento. Ainda assim, não é correto somar os valores dos subsídios e transformá-los automaticamente em aumento na bomba.

Além do gasto com o veículo, uma eventual alta do diesel pode elevar os custos do transporte de cargas, com possíveis reflexos no frete e nas mercadorias. A intensidade desse efeito dependerá dos reajustes efetivamente praticados e das condições de cada operação.

Como gastar menos combustível

Para reduzir a conta, o primeiro passo é dirigir com suavidade. Acelerações fortes, frenagens frequentes e velocidade elevada aumentam o consumo. Antecipar o trânsito, manter distância do veículo à frente e aproveitar a desaceleração com o carro engrenado ajudam a evitar desperdícios.

A calibragem dos pneus também merece atenção. Confira a pressão com os pneus frios e siga os valores indicados pelo fabricante, inclusive a recomendação para o veículo carregado. Rodar com pressão abaixo da especificada aumenta a resistência ao movimento e pode elevar o consumo.

A manutenção deve acompanhar os prazos do manual. Óleo na especificação correta, velas em boas condições e correção de falhas no funcionamento do motor ajudam a preservar a eficiência. Segundo o Inmetro, manutenção inadequada, pneus descalibrados, direção agressiva e excesso de peso estão entre os fatores que podem aumentar significativamente o gasto de combustível. 

Também vale retirar objetos desnecessários do porta-malas e remover bagageiros de teto quando estiverem sem uso. Planejar os deslocamentos e reunir compromissos em uma mesma saída pode reduzir a distância percorrida e o tempo em congestionamentos.

Nos carros flex, compare o custo por quilômetro com etanol e gasolina. Divida o preço do litro pelo consumo médio obtido com cada combustível: o menor resultado indica a opção mais econômica. A conhecida regra dos 70% serve como referência inicial, mas a relação mais vantajosa varia conforme o veículo e o uso.

Por fim, pesquise preços nos postos do seu trajeto e considere a distância necessária para abastecer. Um desconto pequeno pode desaparecer se exigir um desvio longo. Registrar a quilometragem e os litros de cada abastecimento ajuda a acompanhar o consumo e perceber mudanças que mereçam uma avaliação mecânica.

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