Governo quer adicionar 35% de etanol na gasolina: entenda proposta

Ministério de minas e energia quer estudos para mudar fórmula até junho

Por Marcos Camargo Jr.
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Governo quer adicionar 35% de etanol na gasolina: entenda proposta

Presente na gasolina desde os anos 1990, o álcool, hoje etanol anidro, ganhou mais espaço no tanque dos brasileiros especialmente nos carros flex mas também nos monocombustíveis. 

E depois de elevar o percentual do etanol na gasolina de 27 para 30% em 2025, agora o governo quer subir um pouco mais para 32%. Depois dos conflitos no Oriente Médio e elevação do preço da gasolina que em parte é importada pela Petrobras, o governo anunciou nos últimos dias uma medida contraditória: aumentar mais mais uma vez a quantidade de etanol no tanque. 

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E nesta semana o Ministério de Minas e Energia confirmou o plano para que isso aconteça. “Quero aqui, em primeira mão, dizer que nós queremos fazer o E32 em breve, ainda no primeiro semestre deste ano”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na última semana durante participação de um evento no Rio de Janeiro.

“Fizemos (uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética) na semana passada, nós vamos concluir os estudos ainda nos próximos 60 dias, e queremos dar mais essa notícia boa para o Brasil, diante de tantas políticas públicas importantes para a segurança energética, para a modicidade tarifária e para o crescimento nacional”, completou o ministro Silveira.

Mas quais são os impactos do maior percentual de etanol na gasolina? 

Especialistas concordam que carro flex terá  mudança mínima no máximo com um aumento no consumo mas veículos monocombustivel - especialmente só à gasolina, e ainda mais modelos importados é sinal de prejuízo à vista. 

Carros mais novos e importados como SUVs e veículos de maior desempenho, mesmo só à gasolina, já preveem a combustão com componentes do motor com etanol na proporção próxima de 30%. Mas carros mais antigos, carburados e importados não são preparados para uma mistura com tanto álcool. Carros a gasolina dos anos 1970 e 1980 por exemplo nem tinham etanol adicionado e os dos anos 1990 tinham percentual bem pequeno. 

Problemas internos no motor 

Especialistas lembram que não somente a linha de combustível como tanque, mangueiras e o sistema de alimentação podem ser afetados. 

Há risco de problemas em componentes como pistões, as válvulas e outros que tem contato com o combustível. O etanol tem água em sua composição e tende a acelerar danos em mangueiras, juntas e vedações de borracha, bomba de combustível e outros componentes. Peças metálicas também tendem a corroer de forma mais acentuada por conta do etanol. 

Isso sem falar no aumento do consumo. Com mais etanol, que rende menos, o carro consome mais diminuindo a autonomia especialmente em viagens por exemplo. Também há críticas quanto ao fato do etanol ter baixa lubricidade o que também danifica componentes internos. 

Especialistas por outro lado questionam os estudos técnicos para aumento do percentual de etanol na gasolina. Os testes foram feitos basicamente em ensaios, com veículos de produção recente e com motor flex, sem avaliar impactos de longo prazo em motores de alto desempenho, propulsores feitos para queimar só gasolina ou calibrados para quantidade de álcool até 20%. Ainda há muito que ser feito neste quesito e o consumidor, ao que tudo indica, vai pagar para ver caso a medida entre em vigor. 

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