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Governo reage a críticas externas e acusa aliados de Bolsonaro de incentivar interferência no Brasil

Nota oficial afirma que combate ao crime organizado é prioridade.

Por Da Redação
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Governo reage a críticas externas e acusa aliados de Bolsonaro de incentivar interferência no Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Lula Marques/Agência Brasil | Daniel Torok/The White House

O governo federal divulgou nesta sexta-feira (29) uma nota oficial em que rebate críticas e pressões internacionais relacionadas ao combate ao crime organizado no Brasil e faz ataques indiretos a integrantes da família Bolsonaro. No texto, o Palácio do Planalto afirma que o país trava “combate permanente” contra facções criminosas e milícias, como o PCC e o Comando Vermelho, e diz que não aceitará interferências externas em assuntos internos brasileiros.

A manifestação ocorre em meio à repercussão internacional de articulações políticas ligadas ao bolsonarismo nos Estados Unidos e a debates sobre possíveis medidas adotadas por autoridades estrangeiras envolvendo segurança pública e sanções econômicas. Sem citar diretamente nomes, a nota acusa “integrantes da família Bolsonaro” de viajarem aos Estados Unidos para defender “intervenção estrangeira” no Brasil.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, diz trecho do comunicado.

Na nota, o governo afirma que ações de facções criminosas e milícias não podem ser confundidas com terrorismo internacional motivado por razões ideológicas, políticas ou religiosas. O texto sustenta que organizações criminosas atuam principalmente em busca de lucro por meio do tráfico de drogas e armas e reforça que o enfrentamento ao crime organizado seguirá como prioridade das forças de segurança brasileiras.

O Planalto também destacou medidas recentes aprovadas no Congresso Nacional, entre elas uma lei que amplia penas para crimes ligados a facções e milícias, podendo chegar a até 80 anos de prisão. Além disso, o governo citou o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, voltado ao combate das organizações criminosas em diferentes frentes de atuação.

O comunicado afirma ainda que o Brasil mantém cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado e relembra que apresentou, em abril deste ano, propostas de cooperação ao Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o governo, as medidas incluem ampliação do controle sobre lavagem de dinheiro no exterior e combate ao tráfico internacional de armas. Apesar disso, o Planalto fez críticas a possíveis medidas unilaterais adotadas por outros países e alertou para impactos econômicos e institucionais.

A nota afirma que ações externas “não negociadas” podem prejudicar investigações, comprometer o compartilhamento de informações entre polícias e até afetar o sistema financeiro brasileiro e ferramentas nacionais como o Pix. No encerramento do texto, o governo reforça que o Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa e afirma que cabe às instituições brasileiras definir como o crime deve ser combatido no país. “A soberania nacional é inegociável”, conclui a nota divulgada pelo Governo Federal.

Relembre o caso

Os Estados dos Estados Unidos consideram as organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como "ameaças significativas à segurança regional", por conta do envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional. 

Autoridades americanas se reuniram com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo e informaram que os EUA iria classificar o CV e PCC como organizações terroristas, mesmo diante da resistência do governo Lula. O Departamento de Estado considera que os grupos movimentam elevadas quantias de dinheiros através de lavagem de recursos e considera que o aumento do rigor, diante da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.

O aviso com antecedência foi considerado uma "deferência" ao Brasil, já que existem países que não foram avisados anteriormente sobre a medida. Um exemplo é o México, que não recebeu comunicado antes da Casa Branca classificar seis cartéis perigosos como terroristas.

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