Grupo de Milton Leite perde quase metade dos votos após prisão
Filhos do político tiveram queda superior a 60% na votação; apenas Miltinho foi eleito para a Câmara dos Deputados

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O grupo político do ex-vereador Milton Leite (União Brasil) teve uma forte redução na votação nas eleições deste ano. Somados, os principais candidatos ligados ao político chegaram a cerca de 355 mil votos, contra aproximadamente 665 mil nas eleições anteriores — uma queda de 47%.
O resultado ocorreu poucas semanas depois de Milton Leite ser preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público de São Paulo.
Dos dois filhos do político que disputaram a eleição, apenas Milton Leite Filho, o Miltinho, conseguiu se eleger.
Miltinho é eleito, mas perde 64% dos votos
Deputado estadual, Miltinho concorreu neste ano a uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito com 71,6 mil votos.
Apesar da vitória, o resultado representa uma queda de aproximadamente 64% em relação a 2022, quando ele foi eleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com 198,4 mil votos.
O irmão, Alexandre Leite, também teve redução expressiva na votação e não conseguiu trocar a Câmara pela Assembleia.
Candidato a deputado estadual neste ano, Alexandre recebeu 72,5 mil votos, contra 192,8 mil em 2022, uma queda de 62%.
Rafael Saraiva foi exceção no grupo
Entre os principais nomes ligados a Milton Leite que disputaram a eleição, Rafael Saraiva foi o único a registrar aumento na votação.
Deputado estadual, ele conseguiu a reeleição para a Alesp com 105,2 mil votos. Em 2022, quando conquistou o primeiro mandato, havia recebido cerca de 98 mil votos.
Já os vereadores Rubinho Nunes e Pastora Sandra Alves não conseguiram chegar à Câmara dos Deputados.
Rubinho, que havia recebido 101,5 mil votos e sido reeleito vereador em 2024, terminou a eleição deste ano com 41,9 mil, uma redução de 59%.
Sandra Alves teve desempenho mais próximo ao registrado na eleição municipal. Em 2024, quando foi eleita vereadora, recebeu 74,2 mil votos. Agora, obteve 63,7 mil, queda de 14%.
Grupo perdeu cerca de 310 mil votos
Considerando os cinco candidatos, o grupo passou de aproximadamente 665 mil votos nas eleições anteriores para 355 mil neste ano.
A redução foi de cerca de 310 mil votos, o equivalente a 47% da votação anterior.
Os números consideram as votações de Miltinho, Alexandre Leite, Rafael Saraiva, Rubinho Nunes e Pastora Sandra Alves.
União Brasil enfrentou crise interna
A queda nas urnas ocorreu em meio a uma crise dentro do União Brasil de São Paulo, após a prisão de Milton Leite.
Segundo relatos de políticos e assessores do partido, a ausência do dirigente nas duas semanas anteriores ao primeiro turno teria provocado dificuldades na condução da legenda. Os filhos de Milton Leite tentaram manter a articulação política durante o período.
Um político próximo ao ex-vereador classificou a situação interna como “caótica”. Outra fonte ouvida pelo Metrópoles afirmou que os candidatos passaram a conduzir suas próprias campanhas, sem uma orientação centralizada.
Prisão aconteceu antes da eleição
Milton Leite foi preso em setembro, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação apura uma suposta infiltração do crime organizado no transporte público da capital paulista.
O político se entregou às autoridades em 18 de setembro, após passar mais de 24 horas sendo procurado. Ele nega envolvimento com os fatos investigados e afirma que pretende provar sua inocência.
Segundo os autos citados na investigação, diálogos de supostos integrantes do PCC mencionariam o nome de Milton Leite em tratativas relacionadas à atuação de uma empresa em uma linha de ônibus da capital.
A defesa sustenta que o político não participa diretamente das conversas citadas na investigação e também afirma que ele não aparece entre os contatos de José Daniel Satilite, apontado como operador e laranja do PCC.
No dia 23, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Os advogados alegaram nulidade processual e ausência de justa causa para a manutenção da prisão.


