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Gucci reúne Shawn Mendes, Jin, Tom Brady e outros nomes globais, e especialista aponta estratégia por trás da escolha!,

Aos detalhes...

Por Michel Telles
Às

Atualizado
Gucci reúne Shawn Mendes, Jin, Tom Brady e outros nomes globais, e especialista aponta estratégia por trás da escolha!,

Foto: Redes Sociais

A Gucci escolheu um elenco que atravessa diferentes públicos para apresentar sua nova campanha Primavera. Shawn Mendes, Tom Brady, Jin, NINGNING, Xiao Zhan, Alex Consani, Lee Young Ae, Rico Nasty, EsDeekid e Tarzzan aparecem juntos na nova comunicação da Maison, em uma escolha que chama atenção justamente pela diversidade de trajetórias.

A campanha foi fotografada por Michal Chelbin e traz retratos com uma estética que mistura intimidade contemporânea e referências à pintura renascentista. Mais do que apresentar as peças, a proposta cria uma atmosfera própria para a coleção e coloca os personagens como parte importante dessa construção.

Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a escolha do elenco não acontece por acaso. A Gucci trabalha com nomes que já possuem uma identidade reconhecida em seus próprios universos. “A escolha é interessante porque a Gucci não está colocando pessoas diferentes na campanha apenas para ampliar alcance. Cada nome traz uma história, um repertório e uma comunidade própria. Quando uma Maison consegue reunir essas trajetórias sem perder a sua identidade, ela cria uma narrativa mais rica e com mais força cultural”, explica Tamara.

A campanha apresenta a coleção exibida no desfile de estreia de Demna para a Gucci. O estilista leva para a Maison novas silhuetas, texturas e formas de vestir, apresentando sua leitura para uma marca que carrega uma forte herança na moda.

É justamente nesse ponto que, segundo Tamara, está um dos aspectos mais interessantes da campanha: apresentar uma nova fase sem transformar a história da Gucci em algo ultrapassado.

“Toda mudança de direção criativa exige um equilíbrio muito delicado. Existe a necessidade de apresentar novos códigos, mas também existe uma herança que não pode ser ignorada. A Gucci tem uma história muito reconhecida e o trabalho, nesse momento, é fazer com que o novo dialogue com essa história. Não é apagar o que veio antes, é acrescentar uma nova camada”, afirma.

A fotografia de Michal Chelbin ajuda a construir esse encontro entre passado e presente. As referências renascentistas aparecem em contraste com figuras contemporâneas da música, do esporte, da moda e da cultura pop.

Para a especialista, essa combinação fortalece o capital cultural da campanha e evita que a comunicação fique restrita ao lançamento de uma temporada. “A referência renascentista é importante porque traz profundidade para a imagem. Existe uma conversa entre diferentes períodos, e isso ajuda a tirar a campanha daquele lugar de fotografia bonita de coleção. A imagem passa a carregar uma narrativa, uma referência e uma intenção”, avalia Tamara.

A presença de nomes como Shawn Mendes, Jin, NINGNING, Xiao Zhan, Tom Brady e Alex Consani também mostra como as grandes Maisons passaram a construir seus elencos a partir de diferentes territórios culturais. Música, esporte, entretenimento e moda deixam de funcionar como universos separados e passam a fazer parte da mesma conversa.

Na visão de Tamara, esse movimento tem relação direta com a construção de desejo no mercado de alta exigência. “O desejo não nasce simplesmente da exposição de um produto. Ele é construído pela história que existe ao redor dele. Quando uma pessoa reconhecida por um determinado universo passa a fazer parte da narrativa de uma Maison, ela acrescenta significado àquela imagem. A Gucci está trabalhando justamente com essa associação de repertórios”, diz.

Outro ponto que chama atenção é a capacidade de cada personalidade manter sua própria identidade dentro da campanha. Em vez de transformar o elenco em um grupo homogêneo, a Gucci utiliza justamente as diferenças entre eles para criar uma imagem mais ampla da Maison. “Existe uma curadoria muito clara. São pessoas diferentes, de gerações e áreas distintas, mas todas têm presença. E presença, no mercado de luxo, é diferente de simplesmente ser conhecido. É ter uma identidade que o público reconhece. Quando a marca consegue reunir essas singularidades dentro de uma mesma narrativa, ela ganha força sem precisar perder sua sutileza”, explica Tamara.

A campanha marca, portanto, um momento importante para a Gucci. A coleção de estreia de Demna chega acompanhada de uma comunicação que procura apresentar não apenas novas roupas, mas uma nova maneira de olhar para a Maison.

Para Tamara, esse é o ponto que pode determinar a permanência dessa nova fase. “Uma temporada passa. O que fica é a narrativa que a marca consegue construir ao longo do tempo. A Gucci tem uma herança muito forte e agora começa a escrever mais um capítulo. O desafio é fazer com que esse capítulo tenha singularidade suficiente para ser reconhecido como novo, mas consistência suficiente para continuar pertencendo à história da Maison”, conclui.

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