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HIV: Anvisa aprova lenacapavir, 1° injeção semestral revolucionária que previna a infecção em quase 100%

Tratamento demanda apenas duas aplicações ao ano para garantir uma a eficácia

Por Da Redação
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Atualizado
HIV: Anvisa aprova lenacapavir, 1° injeção semestral revolucionária que previna a infecção em quase 100%

Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (12), o lenacapavir, primeiro medicamento injetável a cada seis meses que previne a infecção pelo HIV em quase 100%.O fármaco, que será vendido sob o nome comercial de Sunlenca, foi desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences e já havia recebido o aval nos Estados Unidos e na Europa.

A agência reguladora deu o sinal verde para duas indicações: Uma delas é como profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenir a infecção entre pessoas que não vivem com HIV, tenham idade acima de 12 anos, pelo maior que 35kg e teste negativo para o vírus. A outra é como tratamento de pacientes que vivem com HIV, já tenham utilizado outras terapias e apresentem um quadro de resistência a outras classes de antivirais. 

Segundo o laboratório Gilead, os pedidos para a aprovação como PrEP e como tratamento foram protocolados, respectivamente, em março de 2025 e novembro de 2024, e ambos receberam análise prioritária pela Anvisa devido à relevância epidemiológica e ao potencial impacto em saúde pública. O diretor médico da Gilead Sciences Brasil, André Abrahão, afirmou ao jornal O Globo, que "trata-se de uma inovação que amplia opções de prevenção e oferece esperança para pessoas com resistência extensa e opções terapêuticas restritas". 

O lenacapavir é considerado inovador por demandar apenas duas aplicações ao ano para garantir uma eficácia de quase 100% contra o HIV. Já existe uma estratégia de PrEP, disponível inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017, mas envolve comprimidos diários. Eles também reduzem o risco de uma infecção a quase zero, mas o fato de precisarem ser tomados todos os dias é um entrave para a adesão. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar, em julho do ano passado, o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada, que mistura diferentes ferramentas, como uso de preservativo, testagem e PrEP. À época, a medida foi chamada de "ação política histórica que poderia ajudar a remodelar a resposta global ao HIV". 

Nos Estados Unidos, o tratamento custa mais de 28 mil dólares por pessoa a cada ano (cerca de R$150 mil na cotação atual), o que faz com que nenhum sistema de saúde tenha conseguido implementar o lenacapavir até agora. No Brasil, segundo a Gilead, ainda não há previsão de lançamento e de valores. O primeiro passo é a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) definir o preço máximo, para depois a disponibilização do medicamento de forma gratuita no SUS -  como já ocorre com os compridos. 

Para isso acontecer, depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e da análise pelo Ministério da Saúde. A Gilead chegou a anunciar acordos com fabricantes de 120 países de alta incidência de HIV e com recursos limitados, principalmente os de média e baixa renda, para produzir e vender versões genéricas do medicamento. A comercialização só poderá ser feita com aval das agências reguladoras dos locais. 

No entanto, o Brasil ficou de fora, assim como outros países importantes da América do Sul, Ásia e Europa, o que gerou críticas dos pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, autores de um estudo que estimou que o remédio poderia ser vendido por somente 25 dólares e gerar lucro. 

Lenacapavir é uma injeção, mas não é uma vacina 

Assim como a PrEP em comprimidos, ele não induz o sistema imunológico a produzir anticorpos e células de defesa contra o HIV, por isso não é uma vacina. Ele é um antiviral que bloqueia os "caminhos" que o vírus utiliza para se replicar e, para isso, precisa permanecer em constante circulação no organismo. Por isso ele é utilizado para tratar as pessoas que já vivem com a infecção. 

Com o Lenacapir, o objetivo é manter a droga em constante circulação no sangue para, se a pessoa entrar em contato com o HIV, ela já estar presente e rapidamente atacá-lo, antes mesmo que ele se instale e cause a infecção. Caso a administração da PrEP seja interrompida, a proteção desaparece.

Uma vacina pode demandar novas doses de reforço para elevar a resposta do sistema imune ao longo do tempo, mas a proteção em algum nível se mantém duradoura. Hoje, não existem vacinas aprovadas contra o HIV no mundo.
 

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