Homem acusado de tentar assassinar Donald Trump é condenado à prisão perpétua nos EUA
Juíza considerou que Ryan Routh planejou ataque por meses e representava risco permanente

Foto: Palm Beach County Sheriff's Office/Wikimedia Commons
Ryan Routh, de 59 anos, acusado de tentar assassinar Donald Trump em um campo de golfe na Flórida, foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (4), nos Estados Unidos. A sentença foi proferida pela juíza federal Aileen Cannon, responsável pelo caso.
A tentativa de ataque ocorreu em setembro de 2024, menos de dois meses antes da eleição presidencial que reconduziu Trump à Casa Branca. De acordo com a acusação, Routh se escondeu em arbustos do campo de golfe particular do então ex-presidente, portando um rifle semiautomático, enquanto Trump jogava a poucos minutos de distância.
Routh já havia sido considerado culpado, em setembro, por cinco acusações criminais, entre elas tentativa de assassinato de um importante candidato à Presidência dos Estados Unidos. Durante o julgamento, ele optou por atuar como seu próprio advogado e foi advertido diversas vezes pela juíza ao se desviar de temas pertinentes ao processo.
Além da prisão perpétua, Aileen Cannon impôs outras penas longas relacionadas às demais acusações. O Ministério Público solicitou a pena máxima, sustentando que o réu planejou o ataque ao longo de meses e demonstrou disposição para matar qualquer pessoa que estivesse em seu caminho. A defesa, por sua vez, pedia uma condenação de 27 anos.
Segundo as provas apresentadas, Routh esteve nas proximidades do campo de golfe e da residência de Trump, em Mar-a-Lago, nas semanas anteriores à tentativa frustrada. Celulares descartáveis utilizados por ele registraram buscas por termos como “próximos comícios de Trump” e “câmeras de trânsito de Palm Beach”.
Os investigadores também localizaram uma carta na qual Routh confessava a tentativa de assassinato e oferecia uma recompensa de 150 mil dólares a quem concluísse o ataque. Não há indícios de que ele possuísse os recursos financeiros mencionados no documento.
No dia do crime, um agente do Serviço Secreto que realizava a varredura da área percebeu parte do rosto do suspeito e o cano do rifle atravessando a cerca do campo. O agente efetuou disparos e acionou reforço. Routh fugiu, mas foi localizado e preso horas depois, após um cidadão anotar a placa do veículo utilizado na fuga.
Outras provas indicaram que o acusado pesquisou rotas para deixar o país, com buscas como “como chegar ao aeroporto de Miami” e “voos para o México”. Durante o processo, segundo a promotoria, Routh não demonstrou arrependimento.
Antes do julgamento, em documentos públicos, ele chegou a atacar verbalmente Trump e a desafiá-lo para uma briga ou uma partida de golfe, declarações usadas pela acusação para reforçar o risco que o réu representava.


