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Imprensa internacional destaca virada histórica de Lula e revés à direita após reeleição

Veículos dos Estados Unidos, Europa, América Latina e Ásia ressaltaram resistência à onda conservadora

Por Da Redação
Às

Imprensa internacional destaca virada histórica de Lula e revés à direita após reeleição

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), ganhou destaque na imprensa internacional. Jornais e emissoras dos Estados Unidos, Europa, América Latina e Ásia ressaltaram a virada sobre Flávio Bolsonaro (PL), o quarto mandato do petista e os efeitos do resultado sobre o avanço da direita na região.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O presidente conseguiu reverter a desvantagem do primeiro turno, quando havia recebido 45,16%, ante 47,03% do adversário, de forma histórica. Foi pela primeira vez que um candidato à Presidência conseguiu virar, no segundo turno, uma derrota sofrida na primeira etapa da disputa.

O francês Le Monde classificou a vitória como "nada menos do que um milagre, considerando o quanto as pesquisas apontavam o contrário" e atribuiu peso à mobilização nas ruas e nas redes sociais. O jornal relacionou o resultado também à rejeição ao retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto:

“O fantasma do retorno a uma forma mais radical de bolsonarismo, alinhada aos Estados Unidos de Donald Trump, levou os brasileiros a comparecerem em massa para dar à esquerda uma nova chance. Essa vitória decisiva mostra que o compromisso com a democracia, a soberania nacional, a proteção da Amazônia e a justiça social continua muito vivo entre os 214 milhões de cidadãos brasileiros.”

Nos Estados Unidos, o New York Times tratou o resultado como um freio à onda conservadora que vinha avançando pela América Latina. Segundo a cobertura reunida pela Veja, o jornal também relacionou a derrota de Flávio Bolsonaro ao presidente americano Donald Trump, que mantém proximidade com a família Bolsonaro. O periódico destacou ainda a dimensão da tarefa de Lula diante da divisão do eleitorado, das dificuldades econômicas e da resistência política que deve encontrar no novo mandato.

O Wall Street Journal chamou atenção para a longevidade política de Lula. Com a nova vitória, o petista chegará a 16 anos não consecutivos na Presidência, período comparado pelo jornal ao tempo em que Angela Merkel comandou o governo da Alemanha. O diário também apontou que o resultado impede Trump de ganhar um importante aliado na América Latina.

Resultado é visto como revés para Trump

No Reino Unido, o The Guardian também interpretou a eleição brasileira a partir da disputa de influência política na América Latina. O jornal classificou Donald Trump como o principal aliado internacional do grupo político de Jair Bolsonaro.

“O presidente dos EUA esperava que Bolsonaro se tornasse o mais recente de uma série de líderes pró-Trump a assumir o poder na América Latina, incluindo Abelardo de la Espriella na Colômbia, Daniel Noboa no Equador, José Antonio Kast no Chile e Javier Milei na Argentina.”

A BBC destacou que a vitória não elimina a forte divisão política no Brasil. A emissora britânica chamou atenção para os mais de 48% dos votos recebidos por Flávio Bolsonaro e para a composição do Congresso que Lula encontrará a partir do próximo ano:

A emissora também analisou a importância geopolítica do Brasil em um momento de avanço de governos de direita na América Latina e de disputa entre Estados Unidos e China por influência na região:

Na Argentina, o La Nación apontou a vitória brasileira como o primeiro freio a uma sequência de triunfos conservadores na região. O jornal também chamou atenção para a relação que o presidente argentino Javier Milei, apoiador de Flávio durante a campanha, terá de manter com Lula, já que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina.

Na Ásia, o Japan Times classificou o resultado como "chocante" e descreveu Lula como um "presidente icônico da classe trabalhadora brasileira", segundo a Agência Brasil.

Líderes internacionais parabenizam Lula

A repercussão também ocorreu entre governos estrangeiros. A China afirmou, por meio do Ministério dos Negócios Estrangeiros que está disposta a trabalhar com o Brasil "para continuar a avançar na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre os dois países”.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também parabenizou Lula: “Prezado amigo, aceite meus mais calorosos parabéns por sua reeleição como presidente da República Federativa do Brasil. Os resultados da votação confirmaram plenamente o reconhecimento de seus concidadãos às suas notáveis qualidades de liderança, seu apoio à política de desenvolvimento socioeconômico sustentável do país e a proteção de sua soberania e legítimos interesses no cenário global”.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou lula de amigo. “Parabéns ao amigo Lula pela sua vitória eleitoral. A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”.

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