Inundações no Nepal matam ao menos 22, e há quase 400 desaparecidos
As cheias destruíram estradas, pontes, usinas hidrelétricas e deixaram casas submersas

Foto: Reprodução/X
Fortes inundações na região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete chinês mataram ao menos 22 pessoas nesta quarta-feira (26), segundo autoridades locais. Quase 400 pessoas estão desaparecidas. As cheias destruíram estradas, pontes, usinas hidrelétricas e deixaram casas submersas em lama.
Segundo o órgão de turismo do Nepal, ao menos 384 pessoas estão desaparecidas, incluindo 291 estrangeiros. O grupo inclui 105 cidadãos indianos. O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que equipes da polícia e do Exército se uniram aos esforços de resgate.
Casas e estradas foram arrastadas pela água no país. No Tibete, autoridades disseram temer "grandes perdas humanas", depois que um deslizamento de terra atingiu o porto de Gyirong, na fronteira entre os dois países. Imagens captadas por câmeras de segurança mostram pessoas correndo segundos antes de a terra atingir o local, soterrando veículos e destruindo a estrutura.
No Nepal, helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, que tem cerca de 50 mil habitantes, porque que o rio Bhote Koshi transbordou.
O porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet, disse que os helicópteros só poderão pousar no local quando o nível da água baixar.
Imagens exibidas na televisão mostraram casas destruídas em meio à enchente, carros à deriva e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza. Testemunhas relataram à Reuters que a água engoliu vilarejos inteiros.
O administrador distrital (equivalente a prefeito) Narendra Pariyar pediu que moradores das margens do Bhote Koshi deixassem as áreas mais baixas e se deslocassem para locais mais altos.
"Há devastação para onde quer que a gente olhe", disse à Reuters Tula Bahadur BK, agente de saúde em Rasuwa. Segundo ele, os povoados às margens do rio foram completamente destruídos, e cinco de seus próprios parentes estão desaparecidos.
A causa da enchente ainda não foi esclarecida. Há uma suspeita de que um terremoto tenha atingido a região e provocado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, que atravessa tanto o Nepal quanto o Tibete, causando as inundações.
A agência de notícias chinesa Xinhua informou que o deslizamento ocorreu no lado nepalês. A terra atingiu o porto de Gyirong, que é importante passagem de fronteira terrestre entre o os dois países, bloqueando estradas e cortando fornecimento de energia na região.
As imagens do momento, captadas por câmeras de segurança, viralizaram nas redes sociais. O porto fica situado às margens do rio Kyirong Tsangpo, a cerca de 1.850 metros de altitude, no fundo de um desfiladeiro do Himalaia.
O dirigente da China, Xi Jinping, pediu esforços totais nas buscas pelos desaparecidos, além do reforço dos sistemas de monitoramento e alerta antecipado para evitar novos desastres.
O Ministério da Energia do Nepal informou que 430 megawatts do fornecimento de eletricidade do país foram afetados, a maior parte proveniente de usinas hidrelétricas o equivalente a mais de 12% da capacidade hidrelétrica total do país, de 3,2 gigawatts, segundo cálculo da Reuters.
Desde suas nascentes no Tibete, o rio Bhote Koshi deságua no rio Trishuli, no Nepal, que posteriormente entra na Índia, onde passa a ser chamado de rio Gandak.
A enchente do ano passado no Bhote Koshi matou nove pessoas, além de destruir uma "Ponte da Amizade" que ligava o Nepal à China, int errompendo o comércio e o transporte durante meses. Segundo um monitor regional do clima, aquela inundação foi provocada pelo escoamento de um lago supraglacial no Tibete.
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