Inventário de herança de quase R$ 100 mi levou MPSP a desconfiar de ex-diretor da Fazenda
Investigadores apontam que valor registrado no inventário do pai de André Weiss seria 'incompatível com o perfil do falecido'

Foto: Reprodução
Uma inventário de R$ 99,9 milhões que envolve uma suposta herança do pai de André Weiss, ex-número 3 da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), teria ido um dos motivos que levou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) a desconfiar de irregularidades e possíveis fraudes. As informações são da CNN Brasil.
Segundo a denúncia, os R$ 99.906.437 registrados como herança em 17 de julho de 2023, um ano após a morte de Eugen Weiss, no 2º Tabelião de Notas de Jundiaí, seriam "manifestamente incompatível com o perfil do falecido", conforme explica o MP.
Eugen era engenheiro aposentado, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e escritor. Contudo, a trajetória do pai não corresponderia ao valor declarado no inventário.
"Tudo indica tratar-se de inventário superavaliado, destinado a conferir origem aparentemente lícita — a herança paterna — a recursos de proveniência ilícita, em típica operação de integração no ciclo de lavagem de dinheiro", diz trecho da denúncia.
O MPSP aponta ainda que Weiss teria utilizado duas empresas como possíveis veículo de ocultação patrimonial, Heva Gestão e Participações Ltda e a Biscayne Administração e Participações.
André e o advogado João Buttini foram presos nessa quinta-feira (3) durante a Operação Caldarium, realizada contra um grupo suspeito de cobrar propina em processos relacionados a créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo.
"A cifra é manifestamente incompatível com o perfil do falecido, que foi engenheiro aposentado, pesquisador do IPT, e escritor que publicou seu primeiro romance aos 70 anos (finalista do prêmio Jabuti em 2017). É uma trajetória incongruente com um espólio de R$ 100 milhões", afirma o documento.
Weiss é apontado, segundo o MPSP, como o chefe do núcleo público de propinas. Ele usava a sua influência na instituição para manter uma "arquitetura funcional" na Sefaz-SP que fosse favorável aos interesses do grupo.
Buttini desenvolvia a função de ser o responsável pela negociação dos honorários e das facilidades indevidas, por definir o valor da parcela atribuídas aos integrantes do esquema e pela entrega dos valores ao núcleo público.
Conforme a denúncia, cerca de R$ 13 milhões teriam sido repassados em vantagens indevidas entre 2021 e 2025.
Em nota, a defesa de Buttini informou que o advogado colabora com a investigação e prestará todos os esclarecimentos necessários sobre o caso. "A defesa do advogado João André Buttini de Moraes informa que está tomando conhecimento dos elementos da investigação e das circunstâncias que levaram à operação da data de hoje. Em total transparência e colaboração com a investigação, informa que tão logo tenha acesso integral aos autos do caso, prestará todos esclarecimentos necessários às Autoridades competentes."
A Sefaz-SP também se pronunciou e informou que colabora com os desdobramentos da operação. Leia a anota abaixo na íntegra:
"Desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, a Secretaria da Fazenda e Planejamento atua em conjunto com o Ministério Público de São Paulo na apuração rigorosa dos fatos. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração.
As empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.
Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.
A Secretaria colabora integralmente com as investigações e reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares."



